para lembrar que três não é demais

eu estava ali, presente, mas posso jurar que conseguia ver as cenas em modo espectador, como quem aperta os olhos para prestar atenção e se atentar aos detalhes. eu estava ali. acompanhando o movimento dos corpos e me deixando movimentar também. música, suor, mamilos, pelos, tesão: tudo tocando, sendo tocado. eu estava ali. e ria, porque o riso de alguma forma ameniza a tensão que acerca esses momentos. era bonita a forma com que a língua de vocês se encaixava, a minha ali também, eu, um corpo de homem com todas as questões que assombram um corpo de homem, mas não nesta noite, ainda bem. éramos três. eu me sabia ali, numa coreografia não ensaiada, mas que tinha ritmo. o atrito entre as bocetas molhadas preenchia o vazio entre as canções e era lindo. a gente dançava como se não pudéssemos não dançar. tudo ali era excesso e era bom. porque os corpos nus têm nisso: essa beleza despretensiosa de quem se mostra por inteiro e diz assim, com todas as letras: eu estou aqui.
ainda bem.
