sísifos felizes

a meninada está enfrentando um país governado por um bloco de partidos aliciados por um bloco de corporações/financistas, sem nenhum projeto para o país: blocos que visam apenas o lucro e a dilapidação totalitária (do estado, do meio ambiente, das pessoas, da vida…). Mas os jovens estudantes nas escolas ocupadas (e muitos outros em outros lugares) nos mostram o papel social das pequenas insurreições ou de iniciativas de resistência que, mesmo localizadas, constituem uma força autônoma, temporária e ativa, cujos resultados são a permanência e a vitalidade das cíclicas reimaginações de pactos sociais. O único mito que eu prezo: interpretar, perceber e agir sobre o real produz realidades. O real, que faz exigências, está, ao mesmo tempo, em disputa e em construção (e em desconstrução). Talvez o momento seja propício para o salto que a minha geração não deu, mas vem gestando, agitando: salto no sentido de fazer acontecer aquelas novas tramas sociais frente às exigências dessas realidades em disputa. Acontecimentos clandestinos virão, apoiados em realidades concretas. Acontecimentos que serão ao mesmo tempo resistência e vanguarda. Vêm da meninada. Cabe a nós, exusíacos, os Sísifos felizes, dedicarmos mais atenção e energia às relações entre as pessoas (nós e vós) do que àquelas supostas soluções institucionais e tediosas. A meninada vai dar a linha.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.