[Diário] Começando 2016 com mais persistência do que teimosia no coração. Será?

Me considero uma pessoa persistente, daquele tipo de insiste numa ideia mesmo quando poucos ainda acreditam, ou às vezes mais ninguém. Com frequência essa insistência vira teimosia, o que traz uma série de complicações que duram anos até.

Um dos exemplos mais notáveis de persistência tem sido minha relação com a vida acadêmica. Entrei no curso de Design Visual da UFRGS em 2006, um “véio” de 25 anos, achando que mesmo pesado seria “tranquilo” enfrentar uma rotina mista de trabalho e estudo. Afinal de contas eu já fazia isso desde os 15 anos, não devia ser assim tão diferente, né?

Mas era diferente, e muito.

Num rápido resumo, nos primeiros anos estava indo bem, exceto por um detalhe: uma cadeira de exatas que nem com reza brava eu passava. Fiquei traumatizado, cada nova matrícula na cadeira era uma certeza ainda maior de fracasso. embora eu falasse “agora vai”, no meu íntimo entrava no ringue derrotado. Esse sentimento se espalhou como um câncer e aos poucos foi contaminando minha expectativa com o curso como um todo.

Somando isso ao fim doloroso de um longo relacionamento (que pretendo contar outro dia), passei quase dois anos indo a aulas sem entusiasmo, sem vontade. Sem esperança. Tava indo pela teimosia. O golpe fatal foi o trabalho que estava na época, que gradualmente ficou exigente na responsabilidade e na necessidade de tempo. Desisti do curso. Cheguei a me matricular num semestre e não assistir nenhuma aula.

Mas, apoiado por uma nova pessoa que entrou em minha vida nessa época desoladora, lentamente fui ganhando forças, e no segundo semestre de 2014 decidi voltar à vida acadêmica. Lutei três anos para entrar, não iria desistir “assim tão fácil”. O “turning point” foi a decisão de sacrificar a vida profissional, que caminhava para um rumo diferente do que queria, para concentrar esforços na conclusão do curso.

Eu tinha que correr, poucos semestres antes de ser jubilado, ainda diversas cadeiras, e a porcaria da cadeira de exatas que me infernizava. Por um golpe de sorte a disciplina foi substituída por uma outra, mais fácil, mas ainda assim desafiadora. Falhei na primeira tentativa, mas na segunda obtive êxito.

E aqui estou, persistindo (ou teimando) na conclusão de um curso acadêmico que já consumiu dez anos da minha vida. Me perguntei várias vezes “até que ponto vale a pena?”, e após pensar um pouco chego na mesma conclusão “porque tenho que ser fiel ao caminho que escolhi, não importa as dificuldades”.

Mesmo com esse relato que pode parecer de superação e tal, a verdade é que sim, fui persistente em continuar no curso (com ajuda, claro), mas fui tão teimoso em outras coisas que certamente elas tornaram o caminho para o diploma muito mais árduo do que o era necessário. Por exemplo, adoro planejar e me preparar para começar a fazer, mas chega na hora de começar de fato fico postergando. Aliás, tenho Ph.D em Procrastinação. Que raiva que dá, sério.

Enfim, Se você chegou até aqui é uma pessoa persistente, e os persistentes vão longe. Mas não seja teimoso, senão a jornada será muito mais árdua.