Maldita Geração Y
Se você é um empresário já constituído (alguns diriam da “velha guarda”) certamente já se percebeu em alguma situação dissonante com a tão falada Geração Y. Eles parecem jovens, rebeldes, com pouco respeito à hierarquia e principalmente aos velhos métodos do trabalho.
A tal da Geração Y simplesmente parece não entender como as coisas funcionam. Querem fazer horários diferenciados unicamente para não precisarem pegar trânsito na hora do rush, indo pra casa todos os dias. Preferem começar no trabalho mais tarde, e ir embora também mais tarde, querem fazer suas próprias leis e regras.
Querem crescer na velocidade da luz dentro da empresa. Não somente em salário, mas em poder. Não entendem que para crescer é preciso tempo, respeito conquistado dentro do escritório. Acham que merecem subir rapidamente cada vez que trazem uma boa ideia, emplacam um bom projeto, desenvolvem uma forma diferenciada de se fazer algo que era feito num antigo padrão.
São criativos, mas perdem muito tempo no Facebook, no Youtube, fazendo pesquisas aparentemente inúteis no Google. Na hora do cafezinho, ao invés de conversar sobre coisas do trabalho, estão sempre falando sobre o último episódio de Game of Thrones, ao invés de fofocas, discutem fases do GTA 5. Não debatem política uns com os outros, ao invés disso quase brigam decidindo se PS3 é melhor que Xbox.
Reclamam do carpete no chão, das paredes cinzas, da falta de cores e do gosto do café. Por eles, eles viriam trabalhar de tênis e camiseta, de bicicleta, teriam a mesa cheia do bonequinhos de super heróis e fariam seus próprios horários, inclusive trabalhando em casa dia ou outro. Acham que o necessário é entregar resultado, e não se fazer presente. Eles acreditam que são super talentosos e isso é tudo o que é necessário.
Ao mesmo tempo, não costumam brigar pelos créditos das ações. Pelo contrário: buscam parceiros para suas empreitadas. Cada um com seu papel, de forma independente. Enquanto uma função é realizada por um membro, os outros estão lá, pesquisando tendências, acessando sites e atualizando o Facebook. Quando chega a sua vez é que voltam ao trabalho, colocando as ideias para funcionar e fazer o projeto andar.
Mas o principal de tudo: fazem tudo diferente. São questionadores, vivem mudando de ideia, de plano, de modus operandi. Não fazem as coisas como sempre foram feitas, preferem inventar um novo jeito de trabalhar e de executar as tarefas. É quase impossível entender como suas cabeças funcionam.
Mas aí é que está. Elas funcionam.
Colocando o preconceito de lado (e também aquela raiva que sentimos ao ver um guri de 20 anos de idade mudando tudo o que implantamos como padrão), será que não podemos tirar algo de proveitoso dessa mudança pela qual passamos?
A “maldita” Geração Y quer crescer, quer mudar as coisas, mas para melhor. Querem um mundo mais criativo, uma empresa mais gostosa de trabalhar. Querem mudar o mundo. Eles querem tomar parte nessa mudança pela qual o mundo está passando, querem ser protagonistas desta mudança. Será que não é possível aproveitar isso para o bem da empresa?
Eles têm o espírito da liderança e serão excelentes chefes no futuro. Cabe a você decidir se prefere limar a sua criatividade ou incentivá-la. Cabe a você ser um mentor ou um carrasco. Esqueça o ambiente competitivo da sua geração, eles querem ser amigos, dar risada e sorrir mais. O que há de mal em uma empresa que sorri?
Você pode abrir mão de algumas regras dando horários mais flexíveis em troca de cobrar planejamentos para as suas loucuras: você vai ver como um pouco de organização vai operar milagres naquelas cabeças caóticas.
Saiba equilibrar a vontade de mudar de seus colaboradores com a visão estratégica de sua empresa. Utilize seu serviço e suas ideias: um novo mundo, cheio de ideias e de vontade vai se abrir.
Sua empresa vai mudar.
Disso você pode ter certeza.
(por Fábio Ricardo — falecomfabioricardo@gmail.com)