Balaclava Fest na Audio — 04/11/2018

Warpaint, Deerhunter, Metá Metá, Mercury Rev…

Sintam a vibe!

Num domingo frio de novembro em Sampa, o selo Balaclava Records promoveu mais um dos seus ótimos e intimistas festivais. A Audio foi palco da farra e viu em seu espaço uma mistura de indie rock, dream pop, psicodelismo, electro, jazz e folk para ninguem reclamar.

Diferentemente da versão do ano passado, em que o público não pareceu comparecer em peso, dessa vez os vários espaços dentro da excelente casa de shows estavam tomados. Me lembrou a vibe das edições do Popload Festival de 2014 e 2015 (faltou só aquele último ambiente com o caminhão de Heineken, né?! hehe)

As portas se abriram as 16 horas para meia hora depois no palquinho menor (o Club) a banda folk M O O N S já abrir os trabalhos. Acabei não chegando a tempo de acompanhar, falha minha!

Agora, já diria a velha expressão: quem não tem Tame Impala, caça com algum amigo do Kevin Parker nos seus projetos solos, né não? Sendo assim, as 17 horas o baterista francês de turnê do Tame, o Barbagallo, abriu o palco principal, o Stage, com seu dream pop psicodélico cantado na sua língua materna. Eu vi, mas poucos viram as nove deliciosas canções tocadas.

Na sequência, a Marrakesh de Curitiba se apresentava no palco Club. Divulgando seu mais recente álbum, o excelente Cold As Kitchen Floor lançado pela própria Balaclava, os caras misturam 3 guitarras com sax! Me senti num show do King Krule haha.

Depois, se volta ao Stage, os americanos e velhos indies de guerra do Mercury Rev tocaram musicas do álbum do ano de 1998 para a NME. 20 anos depois do lançamento da obra-prima da banda, o Deserter’s Songs, os músicos fizeram sua estréia no Brasil. Com os instrumentos altíssimos, chegando até ao vocal do Jonathan Donahue ficar inaudível por alguns momentos, os caras torraram o cérebro da porção mais velha do público que foi ao festival exclusivamente para vê-los. Músicas como “Holes” ou “Opus 40” soam tão magistrais e psicodélicas como na versão gravada de duas décadas atrás. 11 músicas e fim de papo.

O paraense Jaloo deu as caras com seu tecno-brega antes dos 3 headliners entrarem em ação (um pouco atrasado em função de falha no sistema elétrico do Club). Misturou músicas do primeiro álbum, #1, com singles e ainda aproveitou para “testar” músicas ainda desconhecidas do grande público. Um bom ato para se requebrar… da minha parte, confesso, após a quinta música já estava me dirigindo ao palco para ver o“meu headliner” hehe.

Que banda, meus amigos!

A próxima atração do palco Stage era nada mais, nada menos que a indie do indie Deerhunter. Banda de Atlanta, Georgia, que tem como seu frontman o gigante Bradford Cox,7 álbuns na bagagem e 1 na iminência de ser lançado estreava no Brasil. Alegria? Acho que a felicidade de verdade só para quem estava do lado da platéia porque naquele mesmo domingo a banda havia noticiado via rede social a morte do antigo baixista dos caras, o Josh Fauver (escrevo esse texto na quarta-feira, três dias depois do show e hoje eles cancelaram o resto da turnê sul-americana).

Seria o Bradford Cox a pessoa mais conhecida com Síndrome de Marfan?

Verdade seja dita: mesmo com um sentimento péssimo rondando as cabeças deles, os caras mandaram de mais (na minha opinão, se soubessem do fato antes de viajar para cá, teriam cancelado tudo)! Setlist enxuto, mas cheio de pérolas: o que dizer de uma banda que pode se dar ao luxo de emendar na sequência “Revival”, “Breaker” (veja vídeo abaixo) e “Desire Lines”!? Arranjaram um tempinho de emendar o novo single, ‘Death In Midsummer’, além de voltarem para um bis e fazerem uma justa homenagem ao ex-baixista, tocando “Nothing Ever Happened” escrita pelo mesmo. Havia visto no Primavera Sound em 2016, mas esse foi disparado melhor… Foi um show para o eterno amigo/colega! Quem presenciou se deu muito bem!

I have minimal needs and now they are through with me

Após os caçadores de cervos, o Metá Metá fechou o palco Club. Pequeno para eles, mereciam o Stage! O triozaço paulista de jazz rock (que ao vivo toca como um quinteto), liderado pela Juçara Marçal nos vocais, tocou os arranjos fortemente influenciados por ritmos africanos e da MPB dos 3 álbuns de estúdio, com destaque para a derradeira canção “Oba Ina”. Bom para quem não se importou em pegar um lugar pior na última atração da noite para de fato ver algo profundamente original e dançante! Por mais Metá Metá’s no mundo!

Não sabia que o Julinho da Van do Choque De Cultura e o Chico Barney tocavam no Metá Metá! HAHA

Ai chegou a vez do headliner principal… ou melhor, da headliner #respeitaasmina haha. A Warpaint, formada pela Emily, Theresa, Jenny e Stella, veio pela terceira vez ao Brasil mostrar todo o seu rock contemplativo! Com a pista do palco Stage completamente abarrotada para ve-las, elas abriram o show com os riffs da música auto-intitulada (veja vídeo abaixo) para começar a a viagem em grande estilo! Como não divulgam nenhum álbum novo nessa volta (já vieram nessa turnê do Heads Up em 2017), mesclaram bem os sons dos 4 álbuns da carreira.

Será que as luzes estavam proporcionalmente fazendo uma alusão ao nome da banda?

Confesso que algumas músicas são um pouco “a mais” para mim… mas quando acertam a mão, soam incríveis: “Love Is To Die” e “So Good” são bons exemplos de acertos. Na parte final do show rolou um #elenão em uníssono (depois de uma camisa com o tema ser lançada para o palco) e uma tentativa de explicação do que isso significava para as musicistas! A Emily Kokal disse que todos ficaríamos bem porque tínhamos uns aos outros que estavam ali (#divou), mas que por enquanto o importante era nos divertirmos… emendando o hit máximo da banda, “New Song”!

Ainda rolou ‘Disco//Very’, mas me dei de presente o final do festival com a música anterior! Felicidade define.

Emily e Theresa, suas lindas!

Vida longa, Balaclava!