prompt #6 — Sobre Expectativas

Agora que você está aqui, temos duas possibilidades: no final do texto (esperamos) você fechará esta aba sentindo-se satisfeito ou frustrado. O resultado varia de acordo com a expectativa criada previamente, pouco antes do clique decisório do mouse. Varia, inclusive, com a expectativa alterada a cada nova frase lida.

O relacionamento aqui é abusivo: não importa o quanto às expectativas nos massacrem, ao mínimo sinal de esperança voltamos correndo para debaixo dos seus braços, caindo em nova armadilha. Somos viciados em criá-las pela descarga de satisfação que cruza todo o nosso corpo quando uma expectativa se concretiza. Uma descarga tão profunda que atinge o âmago do prazer mental, abrindo uma infinidade de novas possibilidades e desencadeando uma série de reações físicas por todo o corpo. Suas pupilas dilatam, sua boca fica seca, um pequeno espasmo chega até a ponta dos seus dedos, você sente a adrenalina acelerar seu coração e, então, sorri. Intensa, porém passageira. Uma sensação viciosa da qual nos tornamos dependentes. Perante todos esses benefícios, como evitá-las? Melhor, por quê?

A satisfação atinge o ponto central, sim. Mas a frustração cria raízes lá. A cada nova vã expectativa suas raízes se aprofundam e se espalham, envolvendo a tudo em que toca com uma camada de medo, incerteza e raiva. Em curto prazo ela te faz baixar o olhar, tranca sua garganta, cerra seus punhos, você sente seu coração esmorecer e, então, tensiona o maxilar. Em longo prazo, continua a espalhar-se sorrateira e silenciosa, distorcendo sua capacidade de raciocínio e criando expectativas ainda mais impossíveis, apenas para que volte a se alimentar e crescer, mais perversa e forte, limitando-te enquanto se expande. Intenso sim, porém não tão passageiro. O tombo depois de voarmos tão alto.

A espreita em cada momento de distração, as expectativas estão sempre prontas para nos pegar desprevenidos. É como se elas já estivessem lá e você tivesse apenas espiado pelo buraco da fechadura ou entreouvido uma conversa através da porta. Você não pode se sobrepor ao desejo de criá-las. Por mais que você tente esquecê-las, elas se farão presentes a cada piscar de olhos. Independente da valsa, aconselho: entre na dança. Decore seus passos e tire o melhor que puder delas. Nos vibrantes momentos em que se concretizam, aproveite o choque eufórico do desejo realizado, deixando-se levar pelo sentimento de plenitude, permitindo-se distrair. Concentre sua atenção nas expectativas frustradas, analise-as e aprenda a contornar seus piores lados, trabalhando para construir-se acima delas. Tendo as expectativas satisfeitas como liga, use cada momento de frustração para erguer pilares, pois, por mais que eles te desestabilizem no momento, com o tempo essas estruturas se tornarão inabaláveis.

Agora, já no final do texto, de que lado da expectativa você se encontra?

- Fabryce.

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