Diversidade
Outro dia fui convidado por um desses bancos novos, imateriais, geração Y, daqueles que você faz tudo dentro de um app, mas que não deixam de ser nunca um banco, a exercitar explicitamente o meu apoio à diversidade sexual grudando um adesivo diante dos caixas dos lugares que opero com o arco-íris, símbolo do apoio às causas e lutas das minorias gays, trans, bi, e todas as maneiras de existir que não sejam fixas, binárias e normatizadas como a identidade heterossexual. As lutas que estas minorias políticas travam são urgentes, especialmente no Brasil, um dos países mais homofóbicos do mundo e que mais matam mulheres transexuais no planeta, apesar de ser o país que mais consome conteúdos pornográficos protagonizados por elas em sites de pornografia, o que faz todo o sentido: o desejo, quando enrustido, cria uma força violenta que se volta para dentro. Essa força não só destrói aquele que deseja, mas também quem deseja, causando morte nesse processo de negação do desejo. O banco, enfim, queria que eu colocasse um adesivo que afirmasse que qualquer pessoa que se identificasse com o acrônimo LGBTTT se sentisse bem-vinda em meus espaços. Imediatamente me senti incomodado pelo pedido, mas não porque pessoas de outras sexualidades que não a minha me incomodem. Primeiro porque a identidade sexual de outro humano nunca foi lá muito do meu interesse, a não ser que me sinta atraído pelo humano em questão. Segundo que aceitar humanos em seu estabelecimento e lhes dispensar igual tratamento é lei, e qualquer forma de discriminação deveria ser punida com cadeia, apesar de tristemente isso estar fora da realidade brasileira. Terceiro e mais importante: o dinheiro não se preocupa com diferenças. Dinheiro é dinheiro e se trata do grande nivelador: não importa sua origem, daí que muito homofóbico se veste de rainbow em épocas de parada gay atrás daquilo que preconceituosamente chamam de dinheiro rosa. Não, meu caro banco. Não basta ser simpático à causa LGBTTT. Não basta lhes dizer “sejam bem-vindos” com um adesivinho colorido colocado no caixa de um bar. É necessário se posicionar contra os fascistas, os homofóbicos, os transfóbicos. É necessário dizer “fascistas não passarão, seu dinheiro não é bem-vindo aqui”. No dia que o banco criar um adesivo com um “machistas, homofóbicos, transfóbicos e fascistas em geral, seu dinheiro aqui não é bem-vindo” em letras garrafais eu serei o primeiro a afixar o mesmo na porta dos meus estabelecimentos. Suspeito, no entanto, que isso não acontecerá. Dinheiro não pergunta procedência, e suspeito que o interesse do dito banco não se encontra em perder correntistas preconceituosos.
