O sufoco, as vezes é necessário

10/08/2011, data em que Alexi Stival, o Cuca era anunciado no Atlético e assim se iniciava a era “Galo doido”. Um estilo que ficou marcado pelo forte poderio ofensivo, muita intensidade, inversão de posições e troca rápida de passes, porém lá atrás, sendo mais especifico, no seu sistema defensivo em todo, existia uma fragilidade, na qual os próximos treinadores da era “pós cuca” tinham como meta consertar.

Essa identidade ficou marcada por 4 anos, indo para o quinto, até a chegada do Roger Machado ao Galo. Ainda não se vê o estilo que ficou marcado por Roger enquanto treinava o Grêmio, mas diante do Cruzeiro, clássico válido pela finalíssima do Campeonato Mineiro, ficou um gosto que finalmente o equilíbrio entre setores passou a ser ensinado na Cidade do Galo.

Atlético e Cruzeiro se enfrentaram duas vezes esse ano, ambos com vitória cruzeirense, mas com o Atlético possuindo a maior posse de bola, o que não é garantia de nada, porém, mostrava um pouco de como seria o time de Roger Machado. Uma equipe de posse, com paciência para rodar a bola até achar uma brecha no sistema defensivo do adversário e ai finalizar com um gol.

A final do Campeonato Mineiro chegou, e mais uma vez teremos o maior clássico de Minas Gerais para ser disputado. De um lado, um time que busca ter uma identidade e estilo de jogo, do outro lado, uma equipe com um treinador há mais tempo no comando e sua filosofia já estabelecida. Ingredientes para a partida não faltou, o fato em si de ser um clássico, a invencibilidade celeste, o jejum atleticano e provocações de ambas as partes. Para muitos, Atlético entraria novamente para propor o jogo e tentar encurralar o Cruzeiro, mas para surpresa de muitos, aconteceu justamente o inverso

Nos dois primeiros clássicos, a equipe alvinegra procurou ter mais a posse, enquanto a do Mano Menezes adotava um estilo mais reativo, porém dessa vez foi bem diferente, o Cruzeiro encurralou o Atlético atrás, jogando a maior parte do tempo no campo adversário, impedindo que a equipe de Roger Machado não conseguisse achar espaços para ter a bola e trocar passes. Pelo desgaste da semana na Libertadores, precisou e aprendeu diante dessa partida como se defender e controlar o jogo sem a bola. Do primeiro minuto até ao ultimo, o que se viu foi um Atlético bem compactado atrás, não dando chance para que nenhum atleta do Cruzeiro ficasse no mano a mano com o Victor.

Duas linhas de quatro foram formadas, completadas com Robinho e Fred ocupando espaços para que os volantes do Cruzeiro não fizessem ou até mesmo se infiltrasse. Passar por esse “sufoco” faz parte do estilo que as vezes o Atlético precisará adotar. Nem sempre vai dar para se propor o jogo, ter a maior posse de bola e encurralar o adversário e quando aconteceu isso, pela primeira vez, o Atlético soube se comportar sem passar por perigos na partida.

Em meio a protestos ante a um clássico, Roger Machado, demonstrou que possui a equipe em sua mão e que seus comandados desejam mais do que nunca obter um equilíbrio entre os setores e abandonar definitivamente o modo “Galo Doido”.

Ainda tem mais 90 minutos para serem decididos, mas o que se viu hoje para o restante da temporada é de suma importância para a continuidade da filosofia e a não dependência de somente um estilo de jogo. Atlético e Roger caminham a passos longos para uma forma de jogar que com certeza trará menos riscos aos corações dos atleticanos.

Deem tempo para o Roger. Ele conhece, ele sabe, ele precisa demonstrar.

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