Sobre o filme do Deadpool

Não estragaram o personagem dessa vez

Nos últimos anos, o cinema foi invadido por filmes de super-heróis de todos os tipos. Entre comédias e filmes de ação, há um problema: todos os longas são feitos para crianças e adolescentes, basicamente. Ainda não havia um filme para adultos — conseguiram até mesmo estragar o Wolverine, que virou um fumante imortal. Isso mudou em Deadpool.

Um dos méritos do roteiro é não estragar o personagem ao mostrá-lo exatamente como nos quadrinhos. O humor ácido, as tiradas, as ofensas, a violência gratuita e a conversa com o público fazem parte do universo de Deadpool. Como isso não foi tirado, eles fizeram algo muito divertido para assistir. Um filme para adultos, em que matar três pessoas com um tiro só e cortar a cabeça de outra com uma espada faz parte do personagem e da história, assim como cenas de sexo.

Mesmo precisando apresentar a origem do personagem, a história tem poucos pedaços tensos e com menos ação, concentrada no momento que Wade Wilson (Ryan Reynolds) descobre que tem câncer e decide virar cobaia de um experimento genético comandado por Ajax (Ed Skrein) para tentar ser curado da doença. Depois de ficar com o rosto completamente detonado, Wilson arquiteta um plano de vingança para matar Ajax.

Ao contrário de outros filmes, em que o personagem principal precisa de um alívio cômico, Deadpool é cômico por si só e precisa exatamente do oposto — alguém para colocá-lo na linha, papel bem exercido por Colossus (Stefan Kapicic). Mas, como em toda boa história em quadrinhos, tudo caminha para o confronto decisivo nos 20 minutos finais em que alguns clichês são inevitáveis, mas são imensamente superados pelo carisma do personagem principal — o final é, de longe, o mais engraçado dos filmes da Marvel.

Deadpool é a prova de que filmes de super-heróis podem ser para adultos de vez em quando. Entendo que os estúdios precisam ganhar dinheiro e vender produtos, mas, com tanta grana envolvida, dá para fazer um que seja minimamente fiel ao conceito do personagem sem transformá-lo numa espécie de desenho do Disney Channel em 3D. Se rolar um longa mais pesado para cada três leves, já é alguma coisa.

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