DESAFIO ACEITO

Você está no banho, enquanto passa a mão pelo seu corpo, sente algo estranho nos seus seios: um carocinho.

“Ué, que diabo é isso?” — pensa.

Você gela, pensa naquela doença. Aquela que sua avó e mãe nem arriscam dizer o nome. Pensa em como pode ser agressiva, triste, fatal. Você até ousa encostar no seu cabelo e se imaginar sem ele.

Sai do banho, a expressão não é mais a mesma. Veste a primeira coisa que vê pela frente e chora, baixinho, pensando no próximo passo. Pensa em ligar pra alguém, mas não quer incomodar.

Deita na cama e tenta dormir, em vão. Noites perdidas.

“Parece até que está crescendo!”

Marca uma consulta.

Antes de ir para o consultório, outro banho, mais uma tortura. Passa a mão novamente, dessa vez fecha os olhos torcendo para que tenha sumido.

“Ainda está aqui.”.

No consultório aguarda ser chamada. De repente, o seu nome. Finalmente. Sua médica pede para que se dirija ao banheiro no interior da sala e se troque, você veste um jaleco cor-de-rosa aberto na frente. Se deita na cama, ela se aproxima, o abre e começa a te tocar.

“É bem ai, tá sentindo?”

Ela sorri e aquele sorriso é quase como um abraço. Ela, com a sua característica paciência te diz que não é nada, que sempre esteve ali e te ensina, mais uma vez, como identificar se algo é, ou está, diferente.

“Você tem que se tocar mais, boba. Quando foi a última vez?” — ela diz.

“E teve primeira?” — pensa.

Como saber se algo está fora do lugar se você nunca olhou pra saber o que já estava ali? O nosso desafio é perder esse medo: de se tocar e se conhecer, se informar e se descobrir. A gente tem medo, é só medo. E é ele quem pode e vai te machucar, limitar ou prejudicar, mas só se você deixar.

Ninguém pode te conhecer melhor que você mesma, use isso a seu favor.

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