Por que a Intervenção não consegue reduzir a violência no Rio?

Essa é pergunta de três em cada quatro pessoas que encontramos.

A Intervenção Federal no Rio foi decretada apenas na área da Segurança Pública. Isso significa que as ações da Intervenção contribuem para inibir, reprimir ou neutralizar a prática de atos ilegais ou socialmente reprováveis contra pessoas, bens e serviços. Ao realizar operações policiais ou reequipar e fortalecer as polícias, a Intervenção atua sobre a criminalidade e a corrupção como ameaças à sociedade. Porém, essa é uma parcela importante, mas não é a única no enfrentamento da violência.

Paralelo a esse esforço, competem ao Estado ações econômicas e sociais que visem a oferecer melhores condições de desenvolvimento humano e opções de educação e emprego para jovens e adultos. Aí está a complexidade do processo. Por isso, não será em um tempo de dez meses de Intervenção na Segurança Pública que os índices de violência irão despencar a níveis mínimos. O que se conseguirá, por certo, é reduzir índices percentuais de criminalidade, como já vem ocorrendo há quatro meses, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (saiba mais em www.isp.rj.gov.br).

Alguns números absolutos ainda são altos, é verdade. Mas a tendência é que os índices que influem diretamente na percepção de segurança das pessoas, como roubos de rua, de veículos e latrocínios (roubo seguido de morte) sigam em queda nos próximos meses, em função do trabalho mais estruturado do policiamento ostensivo. Os efetivos estão sendo redistribuídos, equipamentos ainda serão adquiridos e os resultados aparecem mais quando a presença policial se faz sobre as chamadas “manchas criminais” (locais com maiores números de ocorrências).

Outros índices decorrentes do enfrentamento entre facções e com a polícia ainda devem se manter altos, uma vez que as disputas por territórios e pontos de droga não devem cessar e as operações policiais devem continuar frequentes.

Para alcançar resultados mais significativos na redução da violência do Estado, serão fundamentais as políticas federal e estadual a serem adotas pelos presidente e governador a serem eleitos. Não só para Segurança Pública, como tema central, mas, principalmente, nas áreas da saúde, educação, saneamento básico, geração de empregos e habitação.
Será importante que o governador eleito dê continuidade ao planejamento estratégico da Intervenção Federal, que é baseado em um diagnóstico detalhado da situação do Rio de Janeiro. Se o fizer, o novo governo ganhará tempo para alcançar resultados que a população fluminense há tanto anseia.

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