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Há três anos eu trabalhei em algumas fazendas no interior da Irlanda. Foram 3 meses, em 3 lugares diferentes. Lembro do cheiro das casas, da terra.
O som das folhas, como se empurrassem umas às outras. O riacho que corria perto de uma das casas. O mar que cercava a outra. E no fundo, sempre o silêncio.

Nesses lugares aprendi lições eternas com a natureza. Era Deus falando através dela. Todos os dias, uma tela em branco onde podia ver pintadas as verdades sobre mim e sobre Ele.

Era início da primavera, as flores tímidas saindo pra ver a luz do sol. Os pastos se tornando cada vez mais verdes, as árvores agora cheias de folhas.

Cliona era a dona de uma das fazendas. Ela me disse:

Vê essa árvore? É uma das mais frutíferas daqui. As árvores costumam se fechar no inverno. O frio violento as faz pensar que nunca mais verão outra primavera. O medo de não sobreviver faz com que elas trabalhem em dobro na produção de sementes, pra garantir que no futuro, como um legado, continuem sua história. Se sobreviver, será um linda árvore cheia de frutos!

Lembro de me ver naquela árvore. A matemática é simples.
Quantos maior o frio, mais frutos virão.

Escrevi em um caderno: “ambientes hostis podem ser os melhores pra te fazer gerar muitos frutos”.

Uma pérola resgatada da memória pra fazer o dia de hoje ter mais sentido.

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