ALIEN — ONDE TUDO COMEÇOU

Onde tudo/quase tudo/muita coisa/ começou

No começo dos anos 70, dois jovens estudantes de cinema, Dan O’Bannon e John Carpenter (sim, esse mesmo! Fuga de Nova York, O Enigma de Outro Mundo e Halloween!) escreveram o roteiro de um filme chamado Dark Star, com a direção de Carpenter. Esse filme tinha um alienígena feito com uma bola de praia pintada, mas que não era o vilão.

O jovem O’Bannon, em cena durante as gravações de “Dark Star”

Aterrorizante, não?

Apesar do sucesso do filme, Dan ficou com a vontade de, como ele mesmo dizia, “fazer um alienígena que se parecesse real”, com um “pequeno número de astronautas” e “sem comédia como Dark Star”. Imbuído dessas ideias, escreveu quase 20 páginas de um script chamado Memory, onde uma tripulação de astronautas investigava um chamado em um planeta remoto, ficando presa nele quando sua nave quebrava. Nascia aí o embrião do filme Alien, de 1979.

Duna — o começo de uma parceria

Em 1976, Dan trabalhou por seis meses na grandiosa versão cinematográfica do livro Duna, feita por Alejandro Jodorowski, que acabou não decolando. Há inclusive um documentário de 2013 sobre esse projeto, chamado aqui de Duna de Jodorowski. Em um projeto que incluía Salvador Dalí, Orson Welles e Mick Jagger no elenco, Dan conheceu o pintor, escultor e designer suíço H.R.Giger e o ilustrador francês Jean Giraud, mais conhecido como Moebius. Dan ficou tão assombrado com o trabalho de Giger que decidiu “escrever um script sobre um monstro de Giger”.

A pintura Necronom IV, feita por H. R. Giger em 1976

Com o fim do projeto Duna, Dan volta a Los Angeles para, juntamente com o amigo Ronald Shusett, retomar o seu script Memory, que passou por mais uma versão(com criaturas como Gremlins a bordo de um bombardeiro!) até chegar na final.

Referências

“Eu não roubei Alien de ninguém. Eu roubei de todo mundo!” disse Dan. Alien bebe de muitas fontes: a ideia de matar um a um seus personagens aparece em Planeta Proibido (1956)

O Planeta dos Vampiros(1965) incluía um esqueleto gigante, o que deu a ideia para o Space Jockey (abaixo).

Até um conto chamado Junkyard(sem tradução para o português, mas que signifca “ferro-velho”) de 1953, em que uma tripulação descobre em um asteróide vários ovos de origem desconhecida.

Dan cita muitas outras referências para detalhes e outras contribuições menores, mas que não caberiam aqui por falta de espaço.

Com o script quase pronto, Dan e Shusett começaram a procurar um estúdio que quisesse comprar a ideia, fechando com a 20th Century Fox. Quando Guerra nas Estrelas saiu, em 1977, o único script com espaçonaves que a Fox possuía era Alien, que foi rapidamente posto em produção, mas sem Dan na direção, já que o estúdio não confiava em um nome desconhecido como diretor. A Fox optou sucessivamente por outros 4 diretores. Esses, por sua vez, eram vetados por Dan, Shusett e outros por medo de não levarem o filme a sério, dando a ele um tratamento de filme B, que era tão comum em outras obras de ficção científica da época, com raras exceções. Apenas com a chegada de Ridley Scott, chamado por seu trabalho em Os Duelistas(1977), estúdio e roteiristas chegaram a um consenso e, em 1979, nascia…

Alien, O Oitavo Passageiro

Em 2122, a nave Nostromo, rebocando uma gigantesca refinaria de minério a serviço da corporação Weyland-Yutani caminho da Terra, recebe uma transmissão e acorda da crio-hibernação seus sete tripulantes(e, Jones, o gato de estimação de Ripley):

  • Capitão Dallas
  • Oficial Executivo Ripley
  • Navegador Lambert
  • Engenheiro Chefe Parker
  • Engenheiro Assistente Brett
  • Oficial Executivo Kane
  • Oficial de Ciências Ash

Refinaria com detalhe para a Nostromo.

Como essa transmissão poderia ser um pedido de ajuda, o oficial de ciências Ash lembra que a tripulação era obrigada por contrato a investigar. Separam a Nostromo da refinaria e pousam no planetóide, descobrindo que esse possível SOS se originava de uma nave alienígena caída. O capitão Dallas, Kane e Lambert saem para investigar a origem do sinal, deixando o restante da tripulação reparando a Nostromo, que sofreu avarias no pouso.

O trio, ao chegar na espaçonave alienígena, descobre que ela não caiu no planetóide, mas fora aparentemente abandonada pela própria tripulação. Seu primeiro contato com um dos tripulantes é a visão de um gigante (batizado de Space Jockey inicialmente, passando a ser chamado de Engenheiro no filme Prometheus) fossilizado e com um buraco no peito.

Visão do Space Jockey e seu tórax perfurado, enquanto dois tripulantes da Nostromo exploram.

Ao mesmo tempo em que Dallas, Lambert e Kane descobrem uma câmara contendo dezenas de ovos, a inteligência artificial da Nostromo, chamada Mother, decifra parte da transmissão vinda da nave alienígena e descobre que não se trata de um pedido de ajuda, mas sim de um alerta!

Ao se aproximar de um dos ovos, Kane é surpreendido por uma criatura que salta de um deles, quebra o visor de seu capacete e se fixa em seu rosto, tudo isso com uma força e rapidez descomunais. Essa é a primeira vez que vemos um facehugger.

Dallas e Lambert carregam Kane, inconsciente, de volta para a Nostromo, mas são impedidos de entrar pela Ripley, que está preocupada com uma possível contaminação e quer apenas seguir protocolos de segurança, que exigem uma quarentena. No entanto Ash, o Oficial de Ciências, os deixa entrar, ignorando os protestos de Ripley.

O facehugger é responsável por impregnar sua vítima com um embrião, que utilizará o corpo (inclusive o código genético) do hospedeiro para crescer até atingir um estágio larval.

Ash investiga a estranha criatura e descobre que seu sangue é extremamente ácido e que ela responde a qualquer tentativa de ser removida da face de Kane. Decide, então, aguardar algum tempo, já que Kane está vivo(Repare que a criatura quebrou seu capacete quando se fixou em sua face, expondo o astronauta às condições hostis do ambiente, mas foi capaz de mantê-lo vivo durante o trajeto da nave alienígena até a Nostromo!).

A situação permanece inalterada até que Kane acorda. Para surpresa de todos, está muito bem até que…

Como é que isso foi parar aí?!

… uma criatura bizarra irrompe de seu peito(apelidada de chestburster, ou explode-peito, em uma tradução livre)! Diante da confusão de todos(inclusive do elenco, que não sabia o que iria acontecer), a criatura consegue escapar, até porque é pequena, muito rápida e está escorregadia com esse sangue todo.

Já que matar essa criatura significaria um provável buraco no casco da Nostromo, vide o sangue corrosivo de sua etapa anterior, a tripulação decide que a melhor forma de se livrar dela é jogando o bicho direto no espaço. Se tivessem escutado a Ripley e ficado em quarentena… mas agora não era a hora para discussões. Atrás do chestburster!

A tripulação inicia uma busca frenética por toda a nave e, pouco tempo depois, durante um breve episódio onde Brett tenta resgatar Jones para evitar que o gato confunda os sensores de movimento usados para detectar o chestburster, o engenheiro assistente encontra o que parece ser uma pele descartada pela criatura, semelhante ao processo pelo qual as cobras passam. E, assim como elas, o chestburster havia crescido, mas não apenas isso. Surgia ali, naquele pequeno compartimento da nave, o Xenomorfo em sua forma adulta, também conhecido como Alien. Apenas Jones sobrevive para miar o que viu naquele instante.

Ainda alheios ao perigo que correm, os outros tripulantes seguem o plano original de expulsar o alien da nave. O Capitão Dallas tem a ideia de entrar nos dutos de ventilação da Nostromo, que são quase um labirinto, armado apenas com um lança-chamas. O incauto capitão cai em uma armadilha do Alien e desaparece.

Na versão Director’s Cut, tanto Dallas quanto Brett são descobertos por Ripley em um compartimento da nave, sendo lentamente transformados em ovos alien. Ripley misericordiosamente queima ambos a pedido do próprio Dallas, que ainda tem um vestígio de consciência. Na versão que foi aos cinemas, eles presumidamente são devorados ou simplesmente mortos pelo Alien.

Restam agora Lambert, Parker, Ash e Ripley, que assumiu a posição de capitã da nave com a morte/desaparecimento de Dallas.Ao acessar o computador central da nave, Ripley descobre que Ash possui uma ordem para garantir o retorno do Xenomorfo à Terra, com ou sem o restante da tripulação. Ao confrontá-lo, Ripley é atacada e se depara com um adversário muito mais forte do que esperava, precisando da ajuda de Lambert e Parker, que decapita o Oficial de Ciências com um extintor de incêndio, apenas para descobrir que Ash era um andróide.

Ripley faz uma “ligação direta” com a cabeça de Ash, que volta à vida e conta sobre sua missão: se infiltrar em uma tripulação que tivesse alguma chance de resgatar um espécime de Xenomorfo, que ele descreve como “o organismo perfeito”, e o levar à Terra para estudos.

Ripley, Parker e Lambert decidem, então, explodir a Nostromo, com o Alien dentro, e fugir em um escape pod, uma espécie de bote salva-vidas espacial. Durante os preparativos para a fuga, Parker e Lambert são emboscados pelo Xenomorfo, deixando Ripley sozinha com o gato Jones. Após explodir a Nostromo e escapar no pod, Ripley se prepara para entrar em hibernação juntamente com Jones quando percebe que o Alien havia conseguido escapar e se esconder!

O que segue é uma das cenas mais tensas do sci-fi espacial: tentando não acordar o Alien, Ripley veste seu traje espacial e executa um plano ousado: abre a escotilha da nave, causando uma descompressão explosiva, o que arrasta o frustrado Alien para o espaço. Para completar, Ripley ainda atira nele com uma arma de gancho de agarramento(como as que o Batman utiliza para escalar paredes). Seria o fim dos problemas dela se o Xenomorfo, mostrando uma tenacidade e capacidade de sobrevivência ímpar, não tivesse se agarrado ao cabo da arma e se arrastando de volta à nave, para entrar por um dos motores.

A última cartada de Ripley é ligar o motor da nave, que empurra o pior “passageiro” de todos os tempos para bem longe da nave, rumo ao desconhecido.

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