Disseminar propósito para gerar engajamento

Um dos grandes desafios das empresas de hoje é a falta de engajamento de seus colaboradores para resolver os problemas do dia a dia. Mas o que tem causado isso? Para compreender melhor, precisamos entender como na verdade as organizações trilharam os seus caminhos até aqui. As empresas desenvolveram ao longo do tempo uma lógica de pensamento cartesiano com relação ao papel das pessoas em suas organizações, considerando-as engrenagens de uma grande máquina podendo ser, facilmente substituídas quando não encaixam corretamente.

O pensamento mecanicista veio desde a Revolução Industrial e se perpetua até hoje em algumas culturas organizacionais e modelos mentais de muitos gestores. Nesse contexto, os planejamentos estratégicos desenvolvidos, em boa parte, apresentam apenas dados financeiros, projeções comerciais, quantitativos estáticos e objetivos que não se conectam com a realidade das pessoas que pertencem a essas instituições.

Quando essas estratégias e objetivos ficam restritos aos sócios e altos níveis hierárquicos, gera a falta de sinergia e motivação dos outros colaboradores, simplesmente pelo fato desses planos não serem compartilhados ou tangibilizados para os demais níveis hierárquicos das empresas, e mesmo quando são recebidas, essas informações não fazem o menor sentido para aqueles que a recebem, gerando na organização a sensação do manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Felizmente essa realidade está em processo de mudança. O conhecimento que era privilégio do topo da pirâmide agora é acessível a todos. As relações passam a exigir mais transparência e clareza nos objetivos da organização e do seu propósito. Assim, as pessoas passam a escolher as empresas, e não as empresas que escolhem as pessoas.

Essa separação do pessoal e do profissional se torna cada vez uma ilusão, visto que a conectividade do mundo não permite essa segregação de papéis. Assim, empresas que pregam um padrão profissional que seja divergente da essência do ser humano, cheia de emoções, continuarão criando ambientes de trabalhos hipócritas onde as pessoas fingem que trabalham e os gestores acham que comandam e controlam.

As relações de trabalho se modificaram e para os colaboradores vestirem a camisa da empresa e pensarem como dono é necessário expô-los aos riscos do dono, mas também recompensá-los com os ganhos do dono. Para isso, faz-se necessário um propósito em comum norteando o caminho das pessoas que formam a empresa, e uma liderança que atue como um agregador, criando referências que mobilize as pessoas a trilharem seus objetivos de vida juntas com a organização.