Mas… e se fosse um homem, você diria o mesmo?

Farah Serra
Aug 10, 2016 · 2 min read

A você que pensa, fala, escreve… Faça um pequeno exercício. Depois de escrever, se pergunte: se falasse de um homem, eu falaria a mesma coisa, da mesma maneira?

Essa reflexão não é minha, é de uma mulher que trabalha em uma importante instituição italiana independente que oferece, de forma gratuita, cura médico cirúrgica de alta qualidade para vítimas de guerras, de minas terrestres e da pobreza. Todavia ela reflete sobre uma matéria estúpida que saiu na imprensa italiana chamando as garotas do arco e flecha, do time italiano que participava das Olimpíadas do Rio, de “Cicciottelle”. Cicciottella, mais ou menos quer dizer gordinha, bochechuda, pessoa cheinha.

Fonte: Página Facebook Commenti Memorabili

Compartilharei com você, porque em minha opinião tem tudo a ver com as notícias que repetidamente vemos por aqui. Citando um recente exemplo: Campeã olímpica, MAS, negra, pobre, discriminada, etc.

Sem acrescentar nada e em uma tradução livre essa moça nos disse:

“Reflexões do dia da Cicciottella, quais são: o problema não é a gordura, o problema é a comunicação quando se fala de mulher. É o mesmo — e acontece repetidamente — quando se coloca a atenção no ‘delicioso lado B’, que seja de uma atleta, de uma professora ou de uma deputada; é o mesmo quando a manchete chama ‘a candidata mãe e separada’, mas não chama nunca ‘o candidato separado’ (e para os homens não paira mais um ‘quem sabe onde achará o tempo para estar com o seu filho’); uma comunicação que pode atingir o seu ápice quando uma dona é vítima de um crime e no tempo de um parágrafo pode se tornar aquela que, com os seus comportamentos, ‘o fez perder a cabeça’, e que até o final procurou por aquilo; a comunicação que, quando uma dona transexual é assassinada, é humilhada sendo chamada de “um transexual”. Etc., etc., etc. Agora, eu acredito que na maior parte dos casos — entre quem escreve e que aprova as matérias — não exista má fé, mas sim falta de educação, como todos nós. Porém proporia um pequeno exercício: depois de escrever, se pergunte: ‘se falasse de um homem, eu falaria a mesma coisa, da mesma maneira?’. Se a resposta é talvez não, releia o trecho com atenção, e eventualmente fale com uma amiga.”

***

Fonte:

O post original é da italiana Cecilia Strada.