O fim e o começo

É fato, estamos passando por mais um momento de recomeço. E o encontro do hoje com o amanhã deixa esse momento ainda mais especial e muito importante. Podemos sair dele mais fortalecidos, pois é ele que nos desperta a vontade em fazer. Re-pense. Re-signifique. Re-comece. Identifique e entenda todo o seu corre-corre. Avalie se é realmente isso mesmo que você quer. Busque o sentido das coisas que você já tem. Descubra o significado perdido ou ainda não encontrado da sua vida.

Por do sol em Lagoa Bonita, Lençóis Maranhenses, Brasil. Crédito imagem: FA.Serra

Ufa! Mais um horizonte a vista. Mais um ano que termina e outro que começa. Mais uma vez em que nos damos conta de que passamos também esse ano levando… seguindo… tocando a vida. Afinal, a vida é algo que se gasta, que se esvai, que flui. O problema é que chegamos aqui exaustos, sem energia, e com aquela sensação amarga de que o tempo está passando depressa demais. Por estarmos sempre tão atolados de obrigações não tivemos como nos permitir uma pausa, por menor que fosse, para pensar, refletir, contemplar. E por estarmos sempre em trânsito só agora percebemos que mais uma vez terminamos em “débito com os nossos desejos”. Este é o momento dolorido em que nos damos conta de que nos perdemos, de que em algum momento — ou em vários pequenos momentos — nos deixamos ali, na beira da estrada, esperando, enquanto corríamos atrás de alguma coisa que nem sequer descobrimos o que era.

“Uns gastam a vida na busca de qualquer coisa que não querem; outros empregam-se na busca do que querem e não lhes serve; outros, ainda, se perdem”, palavras de Fernando Pessoa, no livro do Desassossego. Como você pode perceber, ao acompanhar meu blog, eu sou uma daquelas que se perdem.

Mas, a verdade é que isso não é verdade. A nossa vida não foi só isso. Não desperdiçamos esse ano apenas tocando e levando a vida. Se deixarmos a canseira de lado, pegarmos a lupa e o nosso diário constataremos que — apesar de não termos feitas muitas coisas — muitas outras coisas legais aconteceram. Ao fazermos uma retrospectiva do bem, recordando acontecimentos e sentimentos positivos que transformaram a nossa história, nos lembraremos de pequenas e grandes conquistas: os nascimentos do ano; as formaturas; as promoções no trabalho; os casamentos; as superações das enfermidades; as conquistas materiais e não materiais; as viagens; as festas de aniversário; os churrascos com pessoas queridas; os laços construídos e reforçados; as palavras de estimulo e incentivo; o simples conviver com a família e amigos…

Não é com aquela fadiga provocada por todas as nossas imperfeições, contratempos, e os desejos não realizados, mas é sim com essa retrospectiva do bem que alimentamos os nossos corações e enchemos as nossas almas de energia para revivermos tudo isso e muito mais no ano novo.

“O tempo todo somos convidados a prestar mais e mais atenção em nossa vida.” E agora temos, mais uma vez a oportunidade perfeita para aquela pausa necessária. Aquela da ponderação, da concentração, do pensamento e da imaginação. Este é o momento ideal para o nosso reencontro com nós mesmos, para darmos a atenção devida aos detalhes. De deixarmos de fazer sempre a mesma coisa e passarmos a nos questionar sobre as origens das nossas próprias insatisfações.

Eu sei, eu sei, que já aprendemos que o caminho é repleto de possibilidades, que independente da nossa vontade e planejamento as coisas podem ser ou não serem, que a vida está sempre recomeçando, que os planos que nós julgamos certos no passado se demonstraram incrivelmente incertos, etc., etc., etc.… E que sendo assim, “é melhor aceitar e venha o que vier”. Porém, é justamente por essa acomodação e falta de coragem que nós acabamos vivendo de maneira medíocre, em um emprego que não nos agrega, onde não nos desenvolvemos e não nos realizamos, onde apenas desperdiçamos a nossa energia em algo que não nos faz bem.

Entretanto, para este próximo ano, eu não quero ter que terminá-lo com um parágrafo inicial como o desse texto, quero já pular para a segunda parte por saber que estamos terminando mais um ano com a aquela sensação gostosa de missão cumprida, de nos sentirmos valiosos e principalmente de sentirmos que estamos no lugar certo, fazendo o que é certo — o que é certo, sobretudo, para nós mesmos.

Eu não quero que por mais um ano a gente siga fazendo aquelas atividades que nos fazem sentir mais fracos, entediados, desmotivados, mesmo que tenhamos desempenhos excelentes ao executá-las. Pois isso é algo que esgota energias e causa tédio ou faz com que nos deviemos dos nossos objetivos principais. Não quero pensar que passaremos outro ano realizando aquelas atividades que só de imaginar nos causam desânimo, angústia ou tristeza. Já vi muito disso a minha volta esse ano, e não gostaria de ver de novo.
 
Desejo que você, como eu, tente viver a própria verdade, que consiste em contornar os nãos que a vida nos oferece em abundância. Que saibamos sempre nascer e morrer, como a vida nos pede ao mesmo tempo em que nós da à chance de sermos de verdade. Isso significa ir muito além de “perseguir o pacote convencional casa, carro, emprego fixo e dinheiro, supermãe e superpai, fazendo um jogo que muitas vezes nem nos pertence, mas parece certo. Ainda que não tenhamos controle absoluto, é interessante notar que, em parte, somo livres para voltar atrás, recomeçar com o que temos, dar um passo, trabalhar com outra coisa e aceitar que, muitas vezes, simplesmente não sabemos. Isso tudo é possível desde que estejamos dispostos a não nos esquivar do que nos define”.
 
É este encontro do hoje com o amanhã que deixa esse momento de pausa ainda mais especial e muito importante. Podemos sair dele mais fortalecidos, pois é ele que nos desperta a vontade em fazer, a motivação que não precisa de esforço para manter a concentração, o que torna esse momento prazeroso. Este é o nosso momento de optarmos por tudo aquilo que nos fortalece e nos faz sentir realizados.

É fato: estamos passando por mais um momento de recomeço. Você gostando ou não. Allora: enjoy! Re-pense. Re-signifique. Re-comece. Identifique e entenda todo o seu corre-corre. Avalie se é realmente isso mesmo que você quer. Busque o sentido das coisas que você já tem. Descubra o significado perdido ou ainda não encontrado da sua vida.

Saiba entanto que as mudanças nunca são imediatas, muito menos perfeitas. Coisas darão erradas e também haverá as suas próprias batalhas pessoais — aquelas que você terá que enfrentar para ser fiel a si mesmo. Por experiência própria, sei que o recomeço é rico e profundo.

Enfim, aspiro para que os nossos recomeços sejam sempre bem-sucedidos e para que não escapemos dessa briga!

Ah! Só mais uma coisa, o tempo voa enquanto nós falamos, então, encurta a longa esperança. Colha o dia, o de hoje, que nunca o amanhã merece confiança.

Um forte abraço,
Farah Serra
Aquela que vive se perdendo e se achando por aí!

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Citações, fontes e fontes de inspiração: 
Matéria: “Carpe dien”, publicada na Revista Vida Simples, de Abril, 2011. Edição104.
Matéria: “Começar de novo”, de Viviane Zandonadi, publicada na Revista Vida Simples, de Março, 2014. Edição 142.
A verdade sobre seus pontos fortes, de Gisele Meter, publicado em Administradores.com.
Por que estamos tão cansados?, de Manuela Pérgola, publicado em Obvious.

Artigo escrito por mim e originalmente publicado em meu blog Pelos campos de trigo.