Viagem de fotos ou fotos de viagens?!

Foi realizando uma das minhas paixões, viajar, que nasceu outra das minhas grandes paixões: fotografar. Foi uma síntese natural. Tudo aconteceu de forma delicada, mas ao mesmo tempo de maneira intensa. Algo mudou completamente e eu aprendi a viajar!

Em alguma rua de Barcelona, Espanha. Crédito imagem: Leo Mattos. Arquivo pessoal. Todos os direitos reservados.

Viajar! Está é, sem dúvida, uma das minhas grandes paixões. E foi justamente realizando esta grande paixão que nasceu outra das minhas grandes paixões: fotografar! Foi uma fusão natural. Tudo aconteceu de forma delicada e, ao mesmo tempo, intensa — algo mudou completamente e eu aprendi a viajar!

Ao querer fotos mais interessantes, aprendi a olhar por onde eu ando, ou seja, passei a realmente enxergar o que eu estava vendo. Maluco não?! Mas o fato é que aprendi a andar a pé, a caminhar pelas ruas, para observar o cotidiano, o movimento, as casas, as pessoas… Buscando os ângulos não usuais, as situações cotidianas, os detalhes, a brincar com as luzes, aprendi a olhar para frente e a girar para trás para ver se tem uma cena legal. Comecei a olhar mais para os lados, a notar as pessoas, o vai e vem delas.

Viñales (Cuba), Verona (Itália), Carcassonne (França), Hyeres (França), Peratallada (Espanha). Crédito imagens: Leo Mattos. Arquivo pessoal. Todos os direitos reservados.

“O que tem de igual?” “O que tem de diferente?” “O que é belo?” “Olha! Aquela coisa feia, aquela casa destruída, pode dar uma foto interessante…” [Click!] [Click!] [Click!] [Click!]

Villefrance-sur-mer (França), Roma (Itália), Cassis (França). Crédito imagens: FA.Serra. Arquivo pessoal. Todos os direitos reservados.

Tudo não passa de um treinamento… É preciso adestrar-se, aguçar seu enquadramento, para não fracassar.

Hoje percebo que foi fotografando que eu aprendi a viajar — passei a enxergar o que eu estava vendo.
Em alguma estrada na Slovakia, Lagoa Bonita (Lençóis Maranhenses - Brasil). Crédito imagens: FA.Serra. Arquivo pessoal. Todos os direitos reservados.

O único problema é quando cruzo com as flores. Ah, as flores!! Elas me fascinam — fico totalmente hipnotizada. Posso fotografá-las por horas e horas, em diversos ângulos, com suuuper zoom… para brincar ao máximo com a função macro da minha câmera. Corro o risco de não ver os monumentos, a cidade, de não ver nada, só para admirá-las e fotografá-las incansavelmente.

Tanto, que uma vez, em Karlsruhe (Alemanha), eu fui passear sozinha pela cidade. Na verdade eu não estava sozinha, eu estava com a minha máquina fotográfica — ela é uma das minhas companhias de viagem preferida! Pois bem, a cidade é pequenina e em um dia vi tudo o que tinha para ver. Até que chegou a noite, e eu tinha que ir encontrar umas pessoas para a janta. Eis, que surge uma grande dúvida: “Passeei mesmo por toda a cidade?!” O ponto de encontro era na pirâmide*, um grande monumento no centro da cidade. Eu tinha certeza que sim, mas não vi nenhuma pirâmide. No mapa ela constava, mas com certeza ela não existia mais. Bem, chegada a hora, vou ao centro e a vejo de longe. “Estranho, como eu não vi isso quando passei?” Assim que me aproximo me lembro de que estava tendo uma feirinha quando andei naquela região e exatamente em frente à pirâmide tinha uma barraquinha que vendia flores.

Barcelona (Espanha) Crédito imagem: Leo Mattos. Arquivo pessoal. Todos os direitos reservados. Marktplatz de Karlsruhe. Fonte internet. Crédito imagem desconhecido.

Amo viajar e fotografar. Pra mim já não existe mais uma coisa sem a outra. Sinto que fotografar é captar, esquadrinhar o instante, é guardar a minha memória da viagem para sempre. Morro de medo de perder as minhas fotos, elas contam parte da minha história, de quem eu sou, o que eu sei e por andei. Anseio deixar essas memórias para os meus próximos. Assim, com as minhas fotos almejo eternizar os meus momentos, desejo torná-los consistentes para que continuem presentes na minha lembrança e na realidade. Pois são as memórias que nos orientam no tempo, informa-nos sobre quem somos de onde viemos e nos dão identidade…

Fotografia
Que seria da memória
sem a fotografia?
Que seria do homem
sem seus vestígios?
Como saberíamos dos avós,
do rosto da infância de nossos filhos?
Que seria de nós
sem ancoragem
no tempo que esgarça e destrói?
Que seria de nós
sem nossos baús
de saudade
e de choro?
É a fotografia que segura relógios,
retorna calendários,
faz do passado presente,
num instante.
(…)”
[Luis Umberto, arquiteto da fotografia]

Lembre-se que a vida é breve, é o trajeto de uma pálpebra. E o instante é parte da história.

***
*A Pirâmide de Karlsruhe está localizada no centro da Marktplatz de Karlsruhe, sendo um de seus principais monumentos. A pirâmide de arenito foi construída de 1823 a 1825, projetada por Friedrich Weinbrenner, sobre a sepultura do marquês Carlos III Guilherme de Baden-Durlach, fundador da cidade. Ela tem 6,81 metros de altura e a aresta de sua base 8,04 metros — como eu não a vi?! Ah, essas flores! :)

Adaptação do post homônimo, escrito por mim e publicado originalmente no blog Pelos campos de trigo.

Algumas das minhas fotografias de viagens estão lá na Galeria, Viagem de fotos, do blog Pelos Campos de Trigo. Tantas outras, compartilho no Instagram: @peloscantosdomundo.

Totalmente descabelada, e mesmo assim fotografada pelo meu fotografo preferido. Carcassonne (França). Crédito imagem: Leo Mattos. Arquivo pessoal. Todos os direitos reservados.

Farah Serra
Uma brasileira, de trinta e poucos anos, que vive em Gênova, na Itália. Mais uma daquelas pessoas que pegou o avião para, audaciosamente, chegar lá onde estão as histórias… e, sem querer, descobriu que as ama contar. E porque quem escreve deve fazê-lo em um espaço e em um tempo, deve viver um espaço e um tempo, ela está sempre por aí. Farah está no seu caminho — entre os seus blogs Pelos campos de trigo, Tempos de gestão, Observações sobre o belo e o sublime (Obvious) e @peloscantosdomundo (Instagram).