Descrição

Não queria me render ao Word.

Prometi não amar nem odiar novamente.

De qualquer forma acabei clicando no ícone azul do programa que até hoje não comprei. O Word é feito pra escritores de fundo do poço, como eu, já que ele nunca te dá um ultimato exigindo que você o compre. O Word é um amigo que não faz questão de jogar a realidade na sua cara, assim como o WinRar.

Antes de redigir esse texto cheguei à conclusão de que é muito fácil se render à escrita descritiva. Nossos sentidos são a única coisa que nos resta de inspiração quando nossa mente está poluída. Mas minha mente não está tão poluída agora.

Além disso, notei que a rima acidental de palavras que não rimam é muito satisfatória quando feita ao acaso. Acho que fica clara a falta de consistência e lógica do que nos agrada sensivelmente.

Analisando a estrutura do meu texto, ainda possuo vícios da minha época de escola. Usar “além disso” para dar continuidade à redação é uma técnica perfeita para conseguir 920 num texto sobre a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira, pelo que parece.

De certa maneira, nesse texto, foi possível me libertar de outro vício de escrita meu, até agora. Na verdade, prefiro chamar esse vício de um “vício de estética”. E agora irei dissertar sobre isso.

Um “vício de estética” é algo que, depois de muitos anos (17) em que permaneço vivo, consegui perceber como influência na constituição de um indivíduo. Esse tipo de vício não é produtor de ações, mas sim limitador de ações. Analisando dessa forma, pode ser mais apropriado chamá-lo de “fobia estética” e não de vício, então.

Visto a minha dificuldade em definir um conceito, vou usar um atalho chamado “exemplo”.

Por exemplo, o estilo de escrita de certos indivíduos me irrita profundamente. E normalmente evito aproximar meu estilo ao dessas pessoas.

Não sei o motivo disso, mas sei que meu problema não são as pessoas, mas sim suas estéticas. Ou o barulho que minha mãe faz quando mastiga.

Algumas coisas me irritam profundamente, não sei o motivo.

O esforço para listar “algumas coisas” é muito para mim, faça-o você.

E explique-me o motivo das minhas irritações, se possível.

Me receite, no imperativo, uma carta ou um remédio.

Fracassei novamente, já que esse texto foi construído com ódio e amor, que são muito parecidos, eu acho.