Doamor

Eu sabia que você chegaria. Mais que isso: eu sentia a sua presença tomando conta de mim. Afinal, por mais que eu não acreditasse, uma hora isso aconteceria. Não havia certeza no dia, na hora ou na semana, se faria chuva ou sol. Mas você estava por vir.

Comecei a acreditar mesmo quando passei a te sentir em pequenos grandes momentos. Certa vez, li que a verdade se dá pela repetição. E, com você, não foi diferente: não me recordo exatamente da primeira aparição, mas lembro daquela mancha de molho de tomate do prato, aquele rabisco no muro feito por alguém apaixonado, até houve um dia em que, ao andar cabisbaixa na rua, você se fez naquela lasca da pedra no chão.

Houve dias em que você se fez materializado entre os arames farpados do muro, naquele mofo da parede do meu quarto e no piso molhado do banheiro. Tive a certeza quando te vi em uma nuvem, o que deu ainda mais beleza ao céu daquele fim de tarde. E sorri.

Eu não sabia como nem quando e, muito menos, o porquê. Havia tanto tempo que não sentia essa força estranha (para mim, claro) que, quando você chegou, foi como uma se luz irradiasse meus dias nublados. De repente, senti o cinza se esvair, as folhas secas se arrastarem, bem como os sentimentos que me puxavam para o vazio existencial.

Desde então, percebo que nossos dias têm sido cada vez mais venturosos. Mesmo com todas as oscilações entre o bem-me-quer e o mal-me-quer, sinto que a nossa relação se fortaleceu. Agora é para valer. Vai durar, ou melhor, prometo fazer durar.

Como é bom relembrar as primeiras sensações de quando você apareceu. Afinal, tudo era traduzido em sorrisos, conversas leves e olhares atentos ao outro e a mim. Confesso que, por muito tempo, ver o meu reflexo era a minha maior negação. Não que eu queira repetir o mito narcísico, mas você me deixou de tal maneira que fico feliz e em paz ao me olhar no espelho. Agora, me sinto viva, me sinto mulher, me sinto pulsante.

Obrigada por finalmente estar aqui (e em mim), amor-próprio!

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