NOSSO CULTO A DEUS

Farol MPC

O que seria o nosso culto a Deus? Por que cultuamos a Ele? Culto é a tradução da palavra em hebraico “avod” que significa trabalhar, servir; render culto, adorar a Deus. Todas essas são características de homens que foram relevantes no plano de Deus. Na criação vemos o homem concebido pelo sopro de Deus, recebendo a vida e sendo animado, passando a ser alma vivente. Em seguida, o homem recém-criado é colocado no Jardim do Éden para ser aperfeiçoado deleitando-se em Deus e administrando tudo o que havia sido lhe imputado como domínio. Aqui nasce a nossa identidade como sacerdotes – aqueles que ministram diante de Deus. O homem ministrava a Deus a partir do relacionamento pessoal, pois o homem tinha uma vida, um espírito que lhe permitia ter comunhão com o Seu Criador, logo o homem não era apenas capaz de sentir a Deus, mas também de vê-Lo. Além da comunhão, o homem também ministrava por meio dos seus deveres (mandato de Deus): frutificar; multiplicar; encher; sujeitar; dominar; cultivar e guardar.

A “cosmovisão original” do homem era centrada em Deus, isso significa que a sua perspectiva (maneira de ver o mundo) era inteiramente espiritual, pois o homem não era capaz de se ver fora Deus já que o seu fôlego de vida (o que lhe dava sentido) era totalmente atribuído a Deus. Ele cultivava o jardim e dominava sobre toda a criação com a mesma dedicação que se encontrava com Deus para ter comunhão. Aqui encontramos a solução para o principal problema atual do “serviço versus adoração”. Somos capazes de fazer coisas como trabalhar, comer uma boa comida e lavar nossos carros para glória de Deus (1 Co 10:31), assim como somos capazes de fazer várias ações sociais ou converter milhares ao Evangelho de Jesus. Ele não é menos glorificado em algumas ações da nossa vida. Mas quando nos esquecemos da essência desses feitos, então perdemos a verdadeira adoração a Deus. Tornamo-nos homens que querem dominar algo sem antes cultivar e sujeitar, mas Deus trabalha da forma inversa.

Em Abel temos o homem retornando a dedicar a vida que lhe foi dada, ou seja, é algo que ocorre de dentro para fora, enquanto em Caim temos o inverso, o homem “fazendo coisas para Deus”, de fora para justificar o que não tem dentro. Infelizmente, no jardim a serpente implantou no homem a ideia de que seus olhos estavam fechados, então ele comeu o fruto proibido da árvore do conhecimento e, na verdade, teve sua perspectiva transicionada. A sua maneira de enxergar o mundo mudou: agora tudo é natural; tudo que ele vê, ele só consegue discernir através da racionalidade (conhecimento) – se torna um ser racional. Ele perde a sua capacidade de ver espiritualmente. A racionalidade humana diz respeito à capacidade de compreender (chegar ao entendimento); avaliar ou a disposição de ajustar todas as coisas. Assim o homem se torna apenas um ser “científico” tentando ordenar tudo de forma cientificamente comprovada – é a maneira que ele tem de se reafirmar e se reencontrar fora de Deus.

Precisamos restaurar a mentalidade sacerdotal que nos foi dada como identidade primária na criação (início) e na consumação (fim). Fomos criados para sermos ministros-governantes de Deus, assim na terra, como ocorre no céu (O Sumo Sacerdote e os anjos continuamente cultuam a Deus no trono). Sermos embaixadores do Reino do Messias significa continuar cultivando princípios eternos (verdadeira realidade) e promovendo a justiça na terra – voltar a reposicionar tudo o que Deus criou em sua ordem original. Essa era nossa identidade no princípio (Êx 19:6) e vai continuar sendo nossa identidade no fim (Ap 1:5,6). Isso é o nosso culto racional: a contínua dedicação da vida a Deus (Rm 12:1,2).

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Autor: Lucas Loris

Equipe de Mídia Farol MPC