Como eu expliquei as guerras para uma criança de 5 anos

Não é incomum sermos surpreendidos pelas perguntas mais simples e desafiadoras vindas de crianças na faixa dos 5 anos de idade (período Marcelo, Marmelo, Martelo da vida). Dessa vez, foi a minha filha do meio, Anabela, a me perguntar algo que me deixou sem fala por alguns segundos:

"Pai, por que existem as guerras?"
Anabela apresentando seu primeiro pitch, no Social Good Brasil Lab, em 2017

Depois de absorver o impacto dessa pergunta tão difícil de responder, resolvi apelar para um conhecimento que adquiri em 2016, quando participei do Friends of Tomorrow, da Perestroika, e apresentar duas palavrinhas difíceis e novas para a baixinha: escassez e abundância. E assim foi:

Paradigma da Escassez e Paradigma da Abundância (imagem roubartilhada desse belo artigo)

Resumindo as 3 primeiras etapas do Paradigma da Escassez:

  • Não tem pra todo mundo 😱
  • Se não tem pra todo mundo, temos medo de que falte 😨
  • Se temos medo de que falte, competimos para criar estoque 😡

É nesse ato de competição que um amiguinho muitas vezes resolve bombardear o outro amiguinho, por território, por saída para o mar, por petróleo, né?

E tudo isso por medo.

E foi aí que eu aproveite a oportunidade para explicar para a pequena Anabela o que é a tal abundância. E para isso usei como exemplo coisas mais do dia-a-dia dela e dos irmãos, como doces e os brinquedos.

- Tem brinquedo para todos? 🤔
- Tem, pai 😒
- Se tem para todos, precisamos brigar? 🤔
- Não, pai. Mas é que…😩
- Filha, abundância. Pense nisso… 😏
- Tá bom, pai. 🙃

Se trocar brinquedo por recurso ou território e crianças por adultos, a conversa segue sendo válida? Acho que sim.

Nem tudo que existe tem de sobra. Ou seja, nem sempre vamos nos livrar desse medo de que pode faltar. Mas competir é só uma forma de resolver esse medinho que dá, né?

Sejamos crianças de 5 anos pra fazer perguntas e anciões de 90 para respondê-las. 👶🏾👵🏾