Nada sobre nós sem nós: uma jornada sobre empreender e aprender

Nada sobre nós sem nós. Essa é uma das importantes lições que aprendi nos últimos anos ao empreender de uma forma que realmente eu não esperava.

Tudo começou em Fevereiro de 2015, quando um pouco antes do aniversário das nossas meninas, Anabela e Cecília, Keli e eu oferecemos a elas o seguinte presente: um aplicativo de celular. Porém, em vez de simplesmente baixar e instalar o aplicativo, nós iríamos desenvolvê-lo em família. Elas toparam na hora!

A ideia inicial do aplicativo era ajudar os pais e os filhos no controle dos combinados, com uma proposta de gamificar a execução de tarefas diárias, como arrumar a cama, escovar os dentes ou fazer as atividades escolares. Dessa forma, à medida que os filhos executassem as tarefas, teriam acesso a recompensas.

Elas se empolgaram muito e, em pouco tempo já estávamos desenhando logos e fazendo "mock-ups" de telas em seus cadernos de desenho. Elas definiram o nome do aplicativo e qual seria o seu símbolo. Até "propaganda" nós gravamos! Eu acabei vendo aí também uma boa oportunidade para brincar um pouco com o desenvolvimento mobile multiplataforma, que era algo que eu tinha curiosidade.

Sendo assim, resolvemos ver se já existiam aplicativos com propostas parecidas à nossa maravilhosa ideia, ao que vimos que já não era um oceano tão azul assim, como pensávamos. Encontramos algumas soluções, poucas nacionais e em português, é verdade, e decidimos começar testando um chamado ChoreMonster.

Tela do ChoreMonster

Aprendemos bastante utilizando o ChoreMonster. O principal aprendizado é que, para nós, ele não funcionou. Importante lição que tentamos entender melhor, e na tentativa de entender o porquê de ele não ter funcionado conosco, nos pegamos em algum momento debatendo a relação da Hierarquia das Necessidades com a busca por recompensas em crianças e adolescentes. E o mais legal foi ter essas discussões com duas crianças de 4 e 8 anos!

Longo foi o período que ficamos às voltas com aplicativos para tarefas e recompensas, no que mais tarde verificaríamos ser uma péssima prática, pois gamificar as relações passa à criança a sensação de que só deve fazer algo se existir uma recompensa. O bom é que montamos um bom levantamento do que existe de aplicações nesse segmento e verificamos que a maioria deles foca em tarefas e recompensas ou na relação pais/escola.

Gamificar as relações passa à criança a sensação de que só deve fazer algo se existir uma recompensa

E foi em Outubro de 2016, quando eu estava estudando Modelos de Negócio em Plataforma que de fato acendeu-se uma luz de como poderíamos abordar esse tema de uma maneira muito melhor: criando uma plataforma! Assim, em vez de tornar artificial a relação, iriamos focar na geração de valor para pais e para os filhos.

Esboço do nosso Modelo de Negócio em Plataforma

De posse de uma nova visão, tivemos uma primeira lição da máxima "apaixone-se mais pelo problema do que pela solução", pois tarefas e recompensas saíram definitivamente da nossa pauta. E muito disso se deve ao fato de que optamos seguir por um caminho diferente: encontrar parceiros e formar comunidades.

E, ao dialogar com outras pessoas sobre nossas ideias, torna-se muito forte a necessidade de falarmos sobre propósito. As pessoas querem saber o porquê de querermos fazer isso. E é sempre um desafio colocar algo que sentimos em palavras e explicar a alguém. Desde o início, sempre foi algo que de alguma forma visava abordar a questão pais-filhos-tecnologia.

E foi ao entrar em contato com outros pais e conhecer a sua dor é que de fato nos conectamos definitivamente ao propósito do que estávamos fazendo. Nós criamos um encontro chamado "Ciclo de Ativação de Pais", em que reunimos famílias para discutir os motivos de ser mãe e pais, os medos e as dúvidas.

Família é tudo que orbita em torno de uma criança

Ao ouvir e nos reconhecer na fala de cada pessoa ali (alguns ainda sem filhos), ficou clara a importância e a magnitude do que estava acontecendo. Impossível para uma pessoa responder uma pergunta simples como "por que ser mãe/pai" sem embargar a voz e sentir a emoção correr em lágrimas.

Tudo isso com a participação constante das crianças, agora também com o Henrique, que nasceu no final de 2015. E assim nos pegamos estudando Métodos Ágeis, formação de comunidades, Computação Afetiva e o empreendedorismo de impacto. Mas muito mais que isso: trouxemos para nosso dia-a-dia uma discussão aberta sobre maternidade e paternidade, sobre o isolamento digital, sobre a comunicação não-violenta e sobre o quanto é importante ter um tempo claro de dedicação para si e para a família como forma de garantir um convívio saudável e feliz.

Atualmente, temos uma comunidade de pais e profissionais que participam conosco ativamente no projeto, fazemos parte do Social Good Brasil Lab 2017, temos uma página no Facebook com mais de 500 membros e o site https://fifu.family em que iremos trabalhar conteúdo e funcionalidades que atendam nosso propósito:

Revolucionar as relações afetivas em família

Conheça o fifu, conheça seu sentimento como pai, como filho. Venha empreender e aprender a construir esse caminho conosco! Um beijo.