Porque eu discordo do veganismo estratégico

Renata Octaviani Martins
Nov 7 · 13 min read

E porque eu vou efetivamente combater esse tipo de pensamento.

Faz tempo que eu quero escrever sobre o assunto. Agora, sentada na frente dessa tela, eu ainda tenho dúvidas de como começar. Qualquer crítica ao veganismo, mesmo interna, costuma ser muito mal recebida; isso quando não é individualizada e colocada como um chatíssimo e descabido “você se acha mais vegano do que eu”. Não é uma batalha de egos, ainda mais com gente que eu mal conheço.

Então resolvi começar contando uma história pessoal sobre quem deveria ser não “um dos pilares”, mas sim a pedra angular do veganismo: os animais e seus direitos.

“Ou estamos, literalmente, lavando nossas mãos e sentando pra comer nossos hambúrgueres — mesmo quando reclamamos há pouco de que o brasileiro precisa voltar a comer arroz e feijão, da colonização da alimentação ou que come muito mais proteína do que o preconizado? Não dá mesmo pra conectar isso tudo?”

Todo dia eu busco minha filha na escola; o caminho que fazemos passa por duas rodovias paulistas: Dom Pedro I (SP-065) e Magalhães Teixeira (SP-085). Na volta, em torno de 13h15, nos deparamos quase sempre com um caminhão de galinhas. O caminhão não tem identificação, não sei a qual empresa pertence. Mas não interessa se faz calor, se está um sol de rachar, se faz frio, se chove; e não é questão aqui de regulamento, do que pode, do que não pode: é o que acontece. Tenho foto no Instagram de um transporte às 13h24, sol a pino e 30ºC. Uma caixa de transporte dessas costuma ter 7 frangos. Um caminhão costuma ter 600 caixas. Num único transporte, são mais de 4000 indivíduos; várias empresas fazem de 10 a 15 transportes por dia.

Tem vídeos no You Tube mostrando carregamento de animais e os trabalhadores desse tipo de indústria comentando sobre peso, sobre “pegar 7 frangos em cada mão” e às vezes fazendo piada (que são fruto da insensibilização a que são submetidos, da vinculação de descaso e submissão com virilidade e da sobrevivência, pra que aceitem um trabalho “sujo, mas honesto”). Fácil achar por “pega de frango”, “carregamento de frango vivo” ou “caminhão de frango”. Volto pra essa história depois.

Todos os dias eu vejo centenas de galinhas, adultas e amontoadas como se fossem vegetais, sendo enviadas pro abate. Porque, sim, esse é o destino dessas galinhas. Todo dia eu olho; elas mal se mexem, estão num estado em que nem são mais galinhas. Não tem comida, não tem água, defecam uma em cima da outra. Ali, elas são só produtos; potencial carne de frango. “Carga de frango vivo”. E, ali, eu percebo como eu sou pequena, impotente e o que eu posso fazer é falar pro mundo sobre a situação dessas galinhas o máximo que eu puder. Tentar trazer de volta pra discussão o que acontece antes de chegarem no supermercado desindividualizadas, desanimalizadas, só frango congelado, peito de frango, pé de frango, frango desfiado, frango assado, nugget e outros produtos. Incomoda? Incomoda; que bom.

Produtos, nunca parte de um corpo. Legítimas engrenagens de um modo de produção cartesiano.

Esse tipo de empresa é o executor e perpetuador daquilo que eu combato, o algoz de quem eu defendo. E, sim, são esses os termos que me vêm à cabeça. E não só. Se formos olhar os vídeos que eu mencionei que existem, talvez incomodem as condições de trabalho dos seres humanos também. Ou com um cenário de monocultura de grãos. Ou comentários que liguem virilidade com tratar animais como coisas.

Já vi caminhão de porcos em plena Av. Moraes Sales (uma grande avenida de Campinas-SP; mas não é comum) e a impotência é igual. Sem falar de cavalos, bois, peixes e animais em biotérios, zoológicos, aquários, rodeios. Esses animais existem e tudo que eles não precisam é de um movimento vegano — que deveria dar visibilidade — nos falando pra “não nos preocuparmos com empresas, mas com produtos”. Certificando empresas que não só exploram como influenciam e definem orientações nutricionais que mantém carnes, ovos e leite com uma aura de essencialidade. Deixando aberto demais pra subjetividade e comodidade pessoal a questão de evitar “na medida do possível” a exploração animal. Na medida do possível não é “na medida dos hábitos que eu não pretendo mudar” e o conteúdos de certos termos é algo que tem que ficar bem explícito.

O que eu não me vejo fazendo, portanto, é me aliando a esse tipo de empresa e muito menos fechando os olhos pra o que eles fazem.

E, honestamente: eu sou só uma mulher de 41 anos (velha e sem paciência pra essa geração de “influencers”, inclusive), que vive em meio urbano, com um marido, dois filhos, duas cachorras e dois gatos (que eu amo de paixão e tenho certeza de que são da minha família, mas não chamo de filhos, por razões que posso colocar depois em outro texto e têm a ver com a forma como eu acho que os animais precisam ser enxergados, sem antropomorfia). Já resgatei bichos, já briguei com todo mundo que eu achei que tinha que brigar, já critiquei ONG pra quem eu definitivamente não sou uma ameaça. Trabalhei por 10 anos exclusivamente com cozinha vegana e — apesar de momentos incríveis — acho que poucas coisas me decepcionaram mais. Ainda amo cozinha e estou tentando achar outras formas de trabalhar, inclusive, mas minha visão sobre isso mudou. Faz uns 14 anos que eu tiro dúvida de quem quer se tornar vegetariano/vegano sem cobrar nada de ninguém. O que eu sei é que eu sou bem honesta em relação àquilo que acredito.

Mas já me vi na impotência de só ser vegana, mesmo, e tentar dar conta do resto da minha vida; então eu tento praticar um veganismo que pelo menos faça sentido. Não estou preocupada em ser “mais vegana” que ninguém, não; estou preocupada em ser tão vegana quanto possível pra efetivamente fazer diferença na forma como a sociedade — não só usa — mas como enxerga os animais. E quando um ativista vegano aparece falando pra gente esquecer um poucos esses indivíduos, pelo que eles acreditam que seja o “bem maior”, a verdade é que o sangue ferve.

O que 11/12 anos de ativismo vegano me trouxeram (e uma construção — admito — um pouco confusa de 4 ou 5 anos anteriores de ovolactovegetarianismo e depois lactovegetarianismo até chegar no veganismo) foram histórias e pensamentos sobre o assunto. E, nesses 11 anos, mudanças de opinião e posturas, também; afinal, eu não sou a mesma de quando eu tinha 29/30 anos (ou menos).

Mas o veganismo “estratégico” tem um ponto positivo (assim como a ascensão de outros pensamentos problemáticos): nos chamar a atenção pra nossa incompetência, enquanto ativistas, de acessarmos a população em geral. Nos chama atenção pra incoerência de alguns discursos e o erro que muitos têm cometido ao tentar aliar uma infinidade de argumentos (alguns incompatíveis ou irreais) na esperança de que “algum cole” e que “tudo vale se a pessoa se sensibilizar”. A incoerência de se permitir perder a premissa pra entrar em discussões que não tem fundamento nenhum, só contestação infinita. De como nós muitas vezes nos permitimos criticar indivíduos carnistas (e não o carnismo), exceções, minorias e até pessoas vulneráveis, mas nos acostumamos e nos calarmos em relação aos maiores volumes de exploração animal. E de como muitos de nós insistimos por tempo demais que veganismo seria só uma questão de consumo, desvinculada de outras estruturas de poder.

Aliás, “estratégico” entre aspas porque o termo mais correto seria veganismo mercantilista. O que eu defendo também tem suas estratégias. Mas entre as minhas estratégias não estão entregar o veganismo na mão de quem vê animais como produtos, usa vegan-washing/green-washing e estratégias de markting como “contestar o contestador”.

Esse veganismo vem claramente pra beneficiar quem pode vender ou ser financiado por grandes empresas. E, pra isso, fomenta e justifica o mercado e tenta dissociar a imagem das empresas da sua própria produção. O que se prega é que essa seria a forma mais eficiente de aumentar o alcance do discurso desses ativistas ou uma eventual distribuição comercial, com aplicação de “lei de oferta e procura”. Ainda, que “quanto mais produtos com rótulos veganos, maior o alcance”. Ou seja, uma realidade em que produtos fazem ativismo sem conteúdo.

Aliás, sem problemas em levantar recursos. Sem problemas também em ter produtos no mercado. Mas — salvo engano — críticas são muito mais veladas, cautelosas e até abstratas quando envolvem dinheiro. Isso quando não são grandes e silenciosas omissões, mesmo. Se esse dinheiro vier de uma empresa que pratica exploração animal em larga escala, então, até que ponto se deve ignorar o que eles fazem? E, se o rótulo com “selinho vegano” começar a se tornar mais importante do que uma alimentação de base e segurança alimentar? Interessa a quem fazermos propaganda de um sem número de produtos veganos — não raro inacessíveis pras maiores parcelas da população — ao invés de trabalharmos com educação quanto a leguminosas, cereais, hortaliças e frutas que não pagam patrocínio? E se falarmos de segurança alimentar e educação alimentar, aproveitamento de alimentos, desperdício, hortas urbanas, composteira verde, cultivo de PANC, consumo consciente, diminuição de consumos desnecessários, limpeza ecológica, cosméticos caseiros, agricultura familiar, fitoterapia de primeiros socorros, garantia de acesso a merenda… Até distribuição de suplemento mínimo de B12 em rede pública — ou aquisição e subsídio por ONGs — precisamos começar a discutir.

O problema é esquecer que tem uma educação alimentar pendente dos básicos por aí e que atingiria muito mais gente do que produtos ultraprocessados voltados pras classes A e B (que representam cerca de 14% da população).

Tudo isso e mais pra vermos o que afinal está dentro da “medida do possível”? Possível pra quem? E se falarmos disso tudo como algo possível e praticável, economicamente viável e não só uma coisa bacaninha e hype pra sabermos da existência e transformar tudo isso, de novo, só em mercado? E se começarmos a olhar as diferenças sociais, regionais e culturais e reconhecermos nosso local nesse cenários pra falarmos de veganismo de uma forma realista, direcionada e sem dispensar os animais?

E se o veganismo for um grande projeto de educação e integração social e não um “meio de consumo”? Muitos “se” pra eu aceitar que o desenvolvimento de produtos e a lei da oferta e da procura vai resolver sozinha questão dos animais.

Não bastasse, o grande problema que eu enxergo: a informação que está sendo passada é realmente sobre veganismo? Um veganismo sem falar de senciência, antiespecismo e exploração, pra mim, é um veganismo sem coração. Sem a pedra angular. Pode até crescer rápido, mas depois desaba.

O que me parece é que só tem uma coisa que segura o veganismo mercantilista: a distância que as pessoas preferem manter quanto à realidade dos animais e a como algumas coisas realmente funcionam dentro de uma empresa. É, por exemplo, o fraquíssimo — mas sempre invocado — argumento de que “a empresa testa, mas tal produto não foi testado”. Se você sabe alguma coisa sobre desenvolvimento de produtos e testes, vai saber que a maioria dos testes em animais são de substâncias e produtos em desenvolvimento. Um produto alimentício ou cosmético realmente acabado, por uma questão puramente lógica, dificilmente precisa ser testado. Se uma empresa separa sua divisão de testes e cria outra empresa, então, é praticamente irrastreável. Primeiro ponto. Segundo ponto é que eu não acredito que esse argumento não existiria se seus defensores fossem obrigados a ver os testes em animais daquela empresa (independente de qual produto) antes de decidir comprar o produto sem o qual ele “não pode mais viver” e que “salvou seu veganismo”... A não ser que o tipo de veganismo defendido por aí realmente não seja mais sobre os animais e sim sobre a comodidade pra humanos. O que me leva sempre à pergunta: e se esse produto for descontinuado?

Como eu falei, eu tenho buscado alternativas. Tenho entrado em contato com grupos (que, sim, existem) que defendem um veganismo popular, coletivo, regionalizado, interseccional e — risco dos riscos — político. Posso discordar de alguns pontos, mas prefiro ao que tem surgido por aí.

Mas esse texto surgiu não apenas pela inconformidade geral ou com meu movimento pessoal de buscar outras formas de ativismo. Surgiu por eu estar inconformada — mesmo — por ter assistido a uma palestra de 40 minutos explicando dentro de uma Casa Legislativa Municipal “o que é veganismo” de acordo com a concepção de uma ONG que claramente tem se filiado ao veganismo mercantilista.

O que me incomodou na palestra, em primeiro lugar, foi uma inversão hierárquica completa de valores. A pergunta “por que alguém decide se tornar vegano” foi respondida “em primeiro lugar, por saúde”. Em segundo, “pelo planeta”. Dizem que é uma filtragem que tem que acontecer pra que o veganismo possa entrar em “certos meios”. Eu não vi veganismo nenhum -fora a palavra — entrando em certos meios. O que eu vi foi uma distorção preocupante, com altas doses de condescendência, na qual animais continuam distantes, invisíveis mas, mesmo assim, algum ser humano vai ser parabenizado no fim pelo grande esforço pessoal que fez.

Teve também aceitação do termo “flexitariano” como uma forma de vegetarianismo e até a declaração de que é comum entre profissões que “precisam mexer com carne”. Eu, cozinheira, que conheço outros cozinheiros veganos, me segurei pra não gritar aí, mas certamente olhei bem feio. Afirmar isso é uma dissociação imensa do papel de cada um dentro do veganismo, explorando aquilo que pode ser identificado e modificado na própria profissão — e não só cozinheiro — inclusive (material pra outro texto). Cozinheiros, biólogos, veterinários, faxineiros, seja lá o que for, quando se torna vegano tem que tentar ser um agente modificador da própria profissão. Na medida do que é REALMENTE possível e praticável e botando a cara a tapa.

Aconteceu uma menção à criação do veganismo/sociedade vegana, mas sem falar do Vegan News #1 e toda a fundamentação que foi feita de que a exploração de animais para ovos e leite era incompatível com o vegetarianismo e por isso se criava ali o veganismo. Aliás, o Donald Watson faleceu em 2005, aos 95 anos e se recusando a tomar alopatia “porque era testada em animais” (o que, sim, é bem extremo), e eu me pergunto o que ele diria, inclusive, sobre o rumo que Vegan Society tomou quando começou a certificar produtos “não testados, de empresas que testam”.

Muito se falou sobre carne, pouco sobre ovos e leite. Nada sobre mel.

Muitos dados sobre doença coronária, diabetes, câncer, longevidade e “alimentação saudável pra se cortar gastos com saúde”. Ok. Não disse que são irreais, não. Mas cadê os animais?

Uma fala de que “está virando luxo se alimentar como nossos avós e pais se alimentavam” gerou uma incoerência ao simplesmente abraçar os processados veganos, mesmo com uma pálida tentativa de se falar de feijões como fonte de proteína acessível (sem falar de tipos, diferentes usos, receitas criativas, receitas tradicionais, descolonização da alimentação ou comida de verdade; falando de preços de leguminosa comparado com o preço de carne mas sem falar do rendimento).

Em relação ao meio ambiente, muitos slides sobre pasto e consumo de água, já conectando com a campanha “Segunda Sem Carne”. Que, em termos ambientais, é bastante falha pois apesar do tal sucesso e eficácia alegado pra esse tipo de campanha, a produção de carne, ovos e leite aumentou consideravelmente de 2000 pra cá (dado da própria palestra). E se a produção continua subindo, eu não vejo eficácia nenhuma.

Daí pra frente, a parte mais problemática, colocando como foco do ativismo o crescimento do mercado vegano. Os “curiosos” e os 55% de entrevistados em uma pesquisa ibope (salvo engano) que “reduziriam o consumo de produtos de origem animal se houvesse informação na embalagem”.

Mas, espera… Será que a gente não precisa voltar pra parte da comida saudável e problematizar a dependência de comida em embalagem que, longe de ser “um luxo”, é de verdade mais cara e tem custos ambientais também? Será que “selo vegano” é muito mais eficiente do que grupos de pesquisa coletivos que encontram opções e divulgam os resultados publicamente, mesmo? Se o objetivo é divulgar a gama de produtos veganos conferidos, porque esse selo tem que ser pago, com renovação anual?

Lista de celebridades “veganas” (incluindo algumas que sequer o são) que seriam “modelos” a serem seguidos, criando uma espécie de hierarquia de quem deve ou não ser ouvido e copiado. E investidores e grandes empresas envolvidas em food tech.

Houve também um comentário sobre “carnes vegetais de segunda geração” representarem 40% das vendas na rede Pão de Açúcar (um supermercado longe de ser popular) e sem sequer considerar a existência de uma probabilíssima bolha de consumo… Uma comemoração de que JBS-Friboi está desenvolvendo um hambúrguer vegetal; aquela JBS que fez piada de que a carne até faz vegetarianos voltarem a comer carne (o conceito por trás disso deixa bem clara a posição dos animais pra essa empresa). Mas e os animais que eles exploram, não são eles que têm que nos incomodar? Ou estamos, literalmente, lavando nossas mãos e sentando pra comer nossos hambúrgueres—mesmo quando reclamamos há pouco de que o brasileiro precisa voltar a comer arroz e feijão ou que come muito mais proteína do que o preconizado? Não dá mesmo pra conectar isso tudo?

Mas acho que ponto que realmente me incomodou foi a ausência quase completa dos animais no meio disso tudo. Eles entram aqui — espremidos em 3 ou 4 minutos finais — não como o fundamento do veganismo, mas um benefício adicional, um consórcio de benevolência em que você cuida de si mesmo, tem algum impacto no planeta e “torno os animais livres”.

Eu queria saber com que argumento as empresas vão ser convencidas a liberar ou não procriar um único animal que seja se a única coisa que está sendo fomentada é aumento de consumo — com consumo de “produtos veganos certificados” por não veganos como mais um produto processado à disposição, especialmente nas classes A e B. O consumo das classes C e D continua como sempre foi (e, se vamos falar de consumo, temos que levar essas diferenças em consideração).

A palestra acabou pra mim quando foi declarado em alto e bom som que “veganos xiitas (…) não querem a pesquisa de empresas não veganas procurando substitutos pra produtos de origem animal”.

De novo, está em cima de uma premissa errada e incoerente com o que a própria palestrante colocou como pilares do veganismo, que seriam “saúde e planeta”. Pro que eu considero como pilar do veganismo — os animais — nem se fala.

Mas o argumento de que nós dependeríamos do desenvolvimento de mais industrializados pra expansão do veganismo é errada. Inclusive pra ilustrar a existência de “produtos de origem vegetal” apelou pra um slide lotado de produtos que até podem ser veganos/aptos pra veganos mas são caros, inacessíveis pra uma imensa parcela da população, não saudáveis (e, ok, nem tudo precisa ser “saudável”. Mas e as bases de alimentação coerentes com o que foi defendido?) e até importados que não são mais vendidos por aqui. Falar da existência desses produtos não é problema. O problema é esquecer que tem uma educação alimentar pendente dos básicos por aí e que atingiria muito mais gente do que produtos ultraprocessados voltados pras classes A e B (que representam cerca de 14% da população).

Volto agora pra história lá do começo. Sentei com meus filhos e comentei com eles sobre os caminhões que vemos sempre. Criei uma hipótese: nós descobrirmos de qual empresa é aquele caminhão. E essa empresa cria uma “opção vegana” (sem nada de origem animal, responsável, etc, deixei bem claro), bem gostosa. Perguntei se eles comeriam, se seria vegano. Ambos deram a mesma resposta: não, não dá pra esquecer das galinhas.

Infelizmente, num mundo em que empresas são apresentadas como escritórios modernos, confortáveis de onde entra e sai dinheiro, os animais só fazem parte de umas engrenagens invisíveis, ficando fácil teorizar sobre interesses deles sem pensar nos indivíduos animais explorados todos os dias por essas mesmas empresas.

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Idealizadora do projeto Favas de escola culinária vegana, oferecendo cursos online e presenciais, consultorias e ideias.

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