Site Map: ainda vale a pena?

Muitos ainda utilizam os site maps tradicionais como parte do processo de planejamento, mas será que eles são realmente úteis e entregam valor nos dias atuais?

Os site maps surgiram como forma de facilitar a navegação dentro dos sites nos primórdios da internet. Hoje em dia eles permanecem vivos entre nós, não mais com o objetivo de auxiliar os usuários perdidos entre um mar de páginas e links sem fim mas como ferramenta na hora do planejamento e desenvolvimento de um sistema.

Não quero entrar na discussão do porquê ainda colocamos um “mundo de links” nos footers (o que tenho minhas dúvidas da real efetividade, mas isso fica para um futuro artigo) e sim o uso dos site maps durante as etapas de planejamento e criação: será que essa continua sendo uma boa solução e um “entregável” útil em uma realidade com novas formas de interação onde conteúdos são criados e modificados em real time pelos usuários e a “porta de entrada” não necessariamente é pela home?

Me deparei com essa pergunta quando ao analisar um site map percebi que ele não estava conseguindo me fornecer com clareza as informações que eu precisava.

Uma solução originada em um mundo estático e que não necessariamente funciona em um mundo dinâmico.

Afinal, será que preciso ficar preso à “tradição” e sempre montar um site map?

Um pulo no passado…

Site maps surgiram para facilitar a navegação, não só de usuários mas também de mecanismos de busca que os utilizam para indexar cada canto de um site. De forma hierárquica, todas as páginas são listadas permitindo assim uma visão geral de um site.

Footer do site oficial da Casa Branca exibindo vários links para várias partes do site (https://www.whitehouse.gov/)

Nos longínquos anos 2000 eram muito comuns como forma de ajudar o usuário em grandes sites, que muitas vezes, o encontravam nos rodapés na forma de uma infinidade de links categorizados. Nos dias atuais, apesar de menos frequente, eles ainda mantem sua existência dessa forma entre nós.

Em uma época onde a grande maioria dos sites tinham uma navegação totalmente hierárquica, os site maps eram de grande utilidade e faziam sentido já que ajudavam a entender o core do sistema e como ele se estruturava.

Com o passar dos anos, o avanço nas tecnologias permitiram que fizéssemos sites cada vez mais complexos, mais dinâmicos e com isso uma navegação hierárquica passou a ser menos usada. Em uma Era onde o acesso à internet é feita cada vez mais pelo celular, a navegação linear (como o dos aplicativos mobile) começou a se proliferar.

Chegamos no problema!

Como utilizar uma lista hierárquica para representar algo que não é hierárquico? Como utilizar algo pensado de forma estática para representar sistemas dinâmicos?

O principal motivo de usarmos nos dias atuais o site map durante o processo de criação é nos ajudar a ter uma visão “holística”, geral do projeto, porém, com a internet se tornando cada vez mais dinâmica e complexa, está ficando cada vez mais difícil cumprir esse papel de forma efetiva.

Exemplo de um site map simples

Claro que não estou falando de sites institucionais ou seus derivados que tem uma estrutura simples e ainda hierárquica de informação. Aqui estamos discutindo grandes sites, complexos e dinâmicos.

Pense por um momento, como você montaria o site map de uma rede social como o Facebook? A página de eventos estaria em que nível? Ela seria descendente direta da Home, do Profile? Ou de nenhuma delas? Alias, o que seria a home do facebook? A página de perfil, de login, a timeline?

Em sites como esse fica impossível fazer um site map que consiga atingir de forma satisfatória o seu objetivo: ter uma visão completa do sistema. As chances de você perder tempo montando algo que não ajudará o projeto e talvez só confunda os membros da equipe e o cliente são enormes.

Mas será que existe uma maneira melhor de atingirmos esse objetivo?

Nem tudo está perdido.

Existem uma infinidade de ferramentas que, dependendo do projeto, conseguem substituir de forma satisfatória os site maps.

Existem casos onde a visão total do site se faz necessário, como por exemplo, quando precisamos estimar o esforço de desenvolvimento ou para apresentar para o cliente. Nesse cenário algo muito utilizado (e que aparece com vários nomes por ai) são os Site Flows.

Exemplo básico de Site Flow

Diferente de um site map, um site flow não se preocupará com as páginas e sua hierarquia (já que elas podem nem existir), ela se preocupará em desenhar fluxos e como as “partes” (sejam elas páginas, funções, blocos de conteúdo) interagem entre si. Dessa maneira paramos de nos preocupar com categorização e passamos a determinar interações.

Em um outro projeto onde a visão geral não é tão crucial, mas sim as etapas que devem ser percorridas, podemos optar então pelas famosas Jornadas do Usuário. Se o site flow for um mapa, as jornadas do usuário seriam os trajeto de um ponto a outro nesse mapa.

Exemplo de Jornado de um usuário para pedir um orçamento em um site

Quando pensamos em aplicativo mobile, por exemplo, não faz sentido tentarmos organizar as “páginas” de forma hierárquica, já que a navegação em sua maioria será linear, e da mesma forma talvez não haja necessidade de desenhar todas as interações em um site flow. Com os objetivos das personas em mãos conseguimos definir os pontos de entrada e o “destino” dentro da aplicação, traçando assim o percurso a ser percorrido dentro da aplicação.


Independente de qual ferramenta utilizamos o importante é ter em mente que não precisamos ficar obcecados em aplicar uma “receita”. Muitos ficam presos em regras e modelos e não param pra pensar se realmente essa é a melhor solução a ser usada.

Como sempre aprendemos, no design não há certo ou errado e sim funciona melhor ou não nesse cenário. Cabe a nós tentarmos identificar as características do projeto e aplicar a ferramenta que funcionará da melhor maneira e trará os resultados esperados.

Site maps são importantes porém não primordiais ou obrigatórios, aplique em seus projetos apenas as ferramentas que fazem sentido serem aplicadas e entregue ao cliente apenas aquilo que realmente terá algum valor.

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