Faz isso não, Crivella!

A ausência nos debates na TV é um direito do candidato, mas com cheiro de cagaço

De coração, candidato: vá ao debate

Não acredito, mas se confirmada a decisão de Crivella de desistir dos debates na televisão, será um GOLPE contra o eleitor carioca. Golpe mesmo. Nenhuma relação semântica com aquela conspiração política que tirou Dilma do Planalto. É golpe pela roupagem covarde, de fuga. O silêncio é um direito, mas com cheiro de cagaço.

Redes sociais são ótimas ferramentas de difusão de plataformas políticas. Só que o conteúdo disseminado é planejado, produzido, maquiado, mensurado, avaliado. Seus algorítimos, no entanto, limitam a comunicação em bolhas. Em suma: só fala para os convertidos.

Propagandas na TV e no rádio funcionam bem para candidatos com largo tempo de veiculação. Mesmo assim, há risco de não dar certo. O que foi o Caso PePa? Um latifúndio nos meios massivos, uma Olimpíada como legado. Saiu do ar.

Crivella, todos sabem, é pastor. Ele poderia se inspirar nos líderes das Escrituras

Dirão os pragmáticos que a vantagem de Crivella o autoriza a fugir do confronto. Mas os fins realmente justificam os meios? Quer dizer, dane-se o eleitor? Nem aí para o indeciso? É saudável a fuga num momento em que a representatividade política é tão, tão criticada?

Dirão alguns colegas da imprensa que não há como fazer um programa só com Freixo, caso Crivella não apareça. Por quê? Acaso o justo deve pagar pelo pecador? Ora, vamos brincar de ligar pontinhos? A Record já anunciou que não fará o debate por “mudanças da sede da emissora”. Coirmãs como Band e RedeTV! alugaram espaços (teatros, centros de convenção) para garantir ao eleitor o direito ao confronto, e fizeram com maestria. Sério que o canal da Universal não pode reservar um espaçozinho? Vamos lá, fala que eu te escuto. Dinheiro eu sei que não falta.

Dirão xs freixetxs que Crivella tem medo de Freixo. Meninxs, não se empolguem. Freixo terá que andar muito pela Zona Oeste para tentar abocanhar um naco do eleitorado pró-Crivella. A ausência do bispo de um ou dois debates não influem tanto no eleitor menos esclarecido.

Dirão os fundamentalistas que o homem de Deus está certo e não deve perder tempo com um esquerdopata que quer o fim da PM, defende o aborto, a ideologia de gênero, o Foro de São Paulo e a maconha: a estes eu recomendo uma dose de democracia. Com tarja preta.

Sou totalmente avesso à aliança política-religião. A primeira é profana demais para se aliar ao sagrado. Mas vai aqui uma exceção. Crivella, todos sabem, é pastor. Por isso, ele poderia se inspirar nos líderes das Escrituras: há sábios como Salomão, bons estrategistas como Davi, piedosos como Samuel, críticos como Jeremias, perseverantes como Paulo.

O que não pode é agir como Adão: no primeiro conflito, arrumou uma desculpa. Deu no que deu.