A abstração da realidade

Para nós que gostamos e acompanhamos política é comum nos depararmos com um vocabulário todo particular: estado, democracia, livre mercado, regulação, privatização, legislativo, judiciário, capitalismo, neoliberalismo, PEC, medida provisória, etc, etc, etc. Tudo muito bonito, muito lindo, parece até chique ser politizado assim né? Mas de nada adianta isso se faltar uma palavra aí (e ela nem é tão bonita assim): Realidade!

Assim como não é nada legal ser uma pessoa consciente e não dar bom dia ao porteiro, também não faz sentido usar palavras polidas e rebuscadas se elas não estão de acordo com o cotidiano da maioria das pessoas, como se essas palavras representassem uma abstração da realidade. Enquanto não tivermos a dura consciência de que aquele desvio de milhões que foi noticiado na página do G1 deveria ser destinado à saúde ou que aqueles milhões de reais injetados em novos cargos públicos poderiam ir para a assistência social, não adianta nem entrar nessa discussão. É muito legal ver seu professor defender aquele ex-presidente (o legal de não citar nomes é que a gente percebe que o caso não é único) ou aquele ex-ministro fervorosamente, mas não podemos nos esquecer dela, a realidade.

Antes de defender alguém, não pode se esquecer que aquele esquemão arquitetado por eles com a ajudinha de seus amiguinhos empresários também corruptos foi que levou o seu colega pai de família a perder o seu emprego e ficar sem fonte de renda para pagar suas contas. Ou a tirar o ímpeto daquela garota que até pouco tempo atrás tinha bastante vontade de crescer e assim contribuir com toda a sociedade. Ou ainda, que motivou várias mentes brilhantes a buscarem papéis de destaque e liberdade em outros países. Quem não tem um conhecido, trabalhador, que está “doido pra ir pra outro país”? Pois é, antes de defender aquele malandro que vive numa redoma lá em Brasília, tenta olhar pro lado primeiro… e pondere bastante antes de dizer alguma coisa.

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