O silêncio do barulho

Ainda esses dias estava viajando a trabalho do Rio de Janeiro para São Paulo, justo no dia em que a galera também estava retornando após o Rock in Rio. Como minha viagem havia sido marcada de última hora, não consegui voo direto e por isso precisaria fazer uma conexão em BH. Lá chegando, reparei que o aeroporto estava muito bem cuidado, provavelmente devido à reforma para a Copa do Mundo de 2014. Busquei informações sobre e lá estava: o aeroporto de Confins está sob uma concessão privada. Bem que eu estava achando estranho o governo cuidar tão bem assim de alguma coisa… E como forma de oferecer algum retorno por um espaço diferenciado dos demais, resolvi que ia gastar com alguma coisa ali. Claro que a primeira coisa que tive em mente foi uma livraria, então apelei pra uma daquelas livrarias da LaSelva, se é que podemos chamá-las de livrarias. Haviam muitos livros sobre carreira, financias, infanto-juvenis e romances água-com-açúcar, nenhum estilo dos quais eu goste. Comprei então para a Gi (minha namorada) um romance água-com-açúcar da escritora Jojo Moyes, uma dessas que anda na moda, ela anda curtindo os títulos dessa escritora (foram só dois até agora). Para mim, depois de muito procurar, acabei pegando uma edição da revista Vida Simples (eu acho que é isso, não a conhecia antes), onde na capa estava desenhado um cardume de peixes indo para um lado e um peixe solitário indo para o lado oposto deles. Ok, me ganhou pela capa. A revista não tem muito conteúdo (em termos de quantidade de matérias), por isso não demorei muito para lê-la inteira. A matéria da capa, aquela que havia me chamado atenção, era boa, mas sem nada de muito novo, pelo menos para mim. Mas uma matéria menor sobre silêncio foi a que eu mais gostei: o autor mostrava um ponto de vista diferente sobre o silêncio. Nada de ausência total de som, monges budistas ou meditações aprendidas no Tibete. O silêncio seria uma característica única, onde cada pessoa deve encontrar o seu, ainda que seja em meio a muitos ruídos. Deve ser um momento em que nos desligamos do mundo, deixando de pensar em qualquer coisa externa àquela que estamos praticando agora. Isso me remeteu imediatamente a alguns meses atrás quando estava cuidando de um pós-operatório da Gi e, convivendo algumas semanas por 24 horas diariamente, ela notou que eu faço ruídos o tempo inteiro. Seja cantando, assobiando, batendo o pé no chão ou “tocando bateria” com os dedos da mão, lá estava eu sempre emitindo algum ruído. Depois que ela me disse isso, eu passei a prestar atenção e tive que concordar com ela. E naqueles momentos eu não estava pensando em nada, simplesmente executando alguma tarefa, desligado de tudo. Ligando aquela informação que tinha ali naquela revista com essa minha característica, notei que talvez a minha meditação seja ali, cantando, assobiando e ouvindo música. E assim acabaria a tradicional desculpa de que não tenho tempo pra essas coisas. Talvez eu já esteja meditando algumas vezes e não tinha me dado conta disso. Talvez o meu silêncio seja em meio ao “ruído” de alguma música qualquer que esteja tocando em minha mente.

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