De repente um estranho

É estranho, como as coisas mudam, a quase 3 meses atrás eu era a pessoa mais próxima dela no mundo, eu estava em tudo, os assuntos não eram monossílabos, foram seis anos assim… claro com idas e vindas mas eram assim.

Hoje, não passo de um estranho, alguém que ela apenas conheceu ou esbarrou na vida, uma pessoa sem a menor importância, onde um “hum” um simples “sim” um direto “ok” um seco “oi” e o pior de todos, o indiferente “flw” este por sua vez até abreviado.

Me dói lembrar que a 3 meses essas palavras eram acompanhadas de perguntas ou histórias, quando não os dois juntos,o “flw” nem existia em nosso vocabulário, as despedidas eram quase uma oração, principalmente da minha parte… e ainda é, mas todas eram acompanhadas com um caloroso te amo.

Hoje a pessoa que tanto amou parece não sentir mais nada, apenas desprezo ou indiferença, hoje não passo de uma nota no rodapé um “flw” no final da conversa.

Me lembro no ponto de crise para chegar nessa situação, ela estava incontente com minhas redes sociais, queria que eu deletasse as pessoas dela, eu nunca entendi bem o porquê… parecia que duvidava de meu amor, dizia ela que era para ter segurança em mim… mas no fundo nunca acreditei nisso, ela simplismente não queria confiar, me lembro que estávamos discutindo direto a duas semanas, nem conversávamos mais sobre nossos dias, faziamos planos, compartilhávamos nossas ambições ou tentávamos resolver os problemas juntos… e os problemas eram muitos… em todas as esferas da nossa vida, estávamos excluindo um ao outro sem perceber, por orgulho talvez… talvez por insistir em não ver, talvez por não ter um diálogo adequado, chegavamos ao ponto de um querer isolar o outro de todo o resto do mundo.

Era terça feira quando a crise final começou, eu estava em casa, na sala, olhando meus e-mails em um momento em que ela trabalhava, não estávamos brigando nesse dia, mas estávamos aborrecidos um com o outro, ela por eu não querer fazer o que ela queria em minhas redes e eu por não entender essa nessessidade dela, ambos nos sentiamos desvalorizados, desmotivados, ela pode achar que eu escondia algo, e eu por achar que ela não confiava absolutamente em nada de mim, ainda mais após todos esses anos… nunca estivemos tão enganados, eu não tinha mais nada para esconder… meu mundo era ela e ela se importava comigo por isso pedia desesperadamente para que eu fizesse.

Eu recebi um e-mail de uma empresa, eu havia ganhado um ingresso para um congresso em São Paulo era um super evento, era da área que eu sempre amei, era uma oportunidade de ouro, imediatamente mostrei para os meus pais eles queriam que eu fosse… eu corri para organizar tudo e contar a novidade para ela… ela tinha acabado de chegar do trabalho, já começamos a discutir, eu mencionei sobre o convite, a recepção não foi a melhor, aliás foi o extremo oposto do que eu esperava, ela falou “você vive arrumando desculpa para fica longe de mim”… disse isso pois uma vez eu mencionei a oportunidade de um mestrado na Itália, mas nem mesmo cheguei de preencher uma linha do formulário… no fundo eu sabia que meu currículo era deprimente, talvez este tenha sido o motivo daquela frase, talvez também tenha sido o fato de eu querer fazer um curso por um ano onde eu teria que ir uma vez por mês para outra cidade fazê-lo… quando ela disse tal frase… eu fiquei imóvel, estatístico, incrédulo… tentei barganhar, em vão… nosso ânimos já estavam a flor da pele… eu fui estúpido e ela retrucou na mesma moeda… eu estava baqueado, eu sentado na sala, Notebook no colo, celular na mão, meus pais no lado, falando sobre o congresso… eu parei de falar, eles perguntaram se eu tinha desistido… estavam preocupados, viram que eu estava falando com ela… eu usei a desculpa do ônibus falando que era muito cansativo, eles mandaram eu parar de ser bobo, pois isso não era desculpa… neste momento eu decidi ir… me despedi dela, organizei tudo e fui dormir, eu sairia no outro dia logo cedo… eu rezava para que amanhã essa briga tivesse ficado para trás, esperava ansiosamente para que ela aparecesse com um pedido de desculpas ou desejando ao menos uma boa viagem… engano meu, mais uma vez o orgulho falou mais alto, meus pais me levando para a rodoviária me perguntavam sobre ela… eu não sabia o que falar… só ficava calado, com a cara fechada… entrei no ônibus, liguei para ela, começamos a discutir novamente, desliguei… viagei brigado com a pessoa que mais amo no mundo… com a pessoa que mais me importei no mundo… era quarta-feira a noite.

Ficamos sem nos falar até sábado final da tarde… o orgulho não deixou que nem um procurasse o outro até que…

Entrei em minhas redes sociais e fui direto para a dela, minhas fotos já não estavam lá… parecia que nunca estive, eu a procurei para tirar satisfação… eu estava incrédulo, puto não acreditava até que ela falou “não tem mais como ficarmos juntos” eu não entendia eu não sabia o que fazer, até que meu primo veio me perguntar se eu e ela tínhamos terminado… de fato tínhamos… Ela tinha decidido isso e não tinha nem vindo falar comigo, eu me enchi de ódio, ocultei as fotos dela… eu estava puto, desorientado, mas respirei fundo, tomei um café e voltei para o congresso… durante uma palestra e outra eu refleti, não me lembro do conteúdo de uma palestra a partir daí… rezei para ser tudo um mal entendido.

Domingo, volto para minha cidade… nada dela aparecer, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, uma semana depois nada, até que ela me procurou…

“Vai ser assim mesmo?” Ela disse… mas assim como? Eu não tinha tomado decisão nem uma, ela tinha decidido tudo sozinha… então começamos a discutir, eu esperava um pedido de desculpas, algo sério, nada de redes sociais e mensagens… esperava que ela aparecesse aqui… se tivesse vindo… eu não teria pensado duas vezes e a teria agarrado, beijado, perdoado imediatamente, tudo teria sido só história… mas a ideia dela era que eu fosse pra lá… a perdoasse naquela situação e fosse imediatamente pra lá, talvez ao ver dela o “vai ser assim mesmo?” Era um pedido de desculpas… mas ao meu ver era só mais uma vez o orgulho falando não a deixando ver as coisas…eu disse não… e comecei um discurso… que no final virou nosso “perdemos o respeito" “eu quase te bati duas vezes” “não confiamos um no outro” esses eram os argumentos base que culminaram no fim de 6 anos de história… frases que no fundo eram só desculpas, no fundo tudo não passou de orgulho ferido, guerra sem sentido e falta de diálogo.

Hoje, somos culpados de tudo estar nessa situação, desesperador eu amar tanto uma pessoa que agora me trata como uma pessoa que apenas conheceu um dia…

Eu a amo e me dói, pois eu sei que existem pessoas apoiando muito mais o nosso fim do que o nosso retorno, pois eu sei que existem pessoas que faram de tudo para destruir tudo que construimos e que mesmo juntos essas pessoas já agiam por de trás dos panos, sorrateiramente… me dói pois agora elas estão ganhando e eu não consigo fazer mais nada… pois em meu desespero acabado errando mais e mais… me dói pois eu não posso de um conhecido que merece só um doloroso “flw” no final do dia…

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