(pouco mais de) 6 meses de SP

Dia 30 de julho completei 6 meses morando em São Paulo. Só me lembrei disso ontem, enquanto eu tentava organizar as coisas que eu precisava fazer na minha vida hoje.

Tomei um susto porque eu achava que não tinha tanto tempo assim. Depois, eu senti um vazio, porque parece que tem muito tempo que não me sinto em casa. Tudo aconteceu tão rápido — e continua acontecendo.

Nada foi como foi planejado. Nem a vinda foi planejada. Eu só pensei rápido e vim. Eu precisava me forçar a pensar de uma forma diferente e sair da minha zona de conforto pareceu o caminho mais fácil. Mas só pareceu mesmo.

Desde o início eu sabia que não seria fácil e mesmo assim não desisti. Coloquei todas as minhas esperanças em algumas caixas e fui ser independente. A cada dia, eu ainda preciso me forçar a não desistir, mas tá tudo bem.

Muita coisa mudou em 6 meses: a forma que eu cuido das minhas coisas, a forma que eu desapeguei das coisas que tinha e que eu jamais pensei em abrir mão, aprendi que qualquer coisa vira janta, que tá tudo bem acordar de manhã e ver louça pra lavar e casa pra limpar (que também tá tudo bem não querer fazer essas coisas, as consequências disso não serão mencionadas aqui).

E o que mudou também é a forma que eu me relaciono com as pessoas que estão longe de mim. Quando o coração aperta de saudade de falar pessoalmente com a minha mãe, de assistir alguma coisa com o meu pai e discutir por qualquer coisa com o meu irmão. Quando eu ia no centrinho e encontrava meio mundo (até gente que eu não fazia questão de querer encontrar). Eu só fecho os olhos e não vejo a hora de voltar pra casa só pra ter tudo isso de novo e encontrar quem der pra encontrar, fazer tudo o que der pra fazer.

Mas eu também sei que agora São Paulo é a minha casa. Aos poucos, a gente vai criando raízes e também não vê a hora de voltar. É misturar a dor de estar longe de quem a gente realmente é com o alívio de descobrir quem a gente está se tornando.

Espero que os próximos 6 meses sejam tão estranhos quanto os meses que se passaram, porque independente de qualquer coisa, eu não mudaria nada.

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