É o máximo mesmo, Fabi. Entendi.
Marcus Brancaglione
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I)

Oi, sim, eu entendo o que queres dizer. Escrevi a um tempo atrás sobre as moedas serem em si um mercado: o mercado dos meios de troca. Ele é um mercado e meio de realização deste mercado (e de outros). “Money” é um auto-mercado, um mercado em si que permite a implementação de mercados. É algo recursivo. Essa dependência em si mesmo, abstratamente falando, sem “pousar na realidade,” de forma totalmente sintética, seria um “ovo e galinha.” Só não o é porque ele é feito de humanos. É um processo de cognição coletiva, um fenômeno social que “começa do nada,” com apenas uma pessoa acreditando, e acrescentando o valor dela, e assim vai. Ele começa com zero pessoas acreditando, e quando a primeira pessoa passa a acreditar, não há linguagem adequada para descrever essa transição, do zero para o um. Mas ele acontece.

Peguei meio pesado no “ilusão psicológica.” Isso foi no sentido Matrix/Budismo da coisa. Eu sei do que você está falando. As moedas tem valor: basta ver o http://coincap.io para ver que elas tem valores diferentes, baseado no que estão fazendo, no que são. Na “utilidade,” sendo “utilidade” algo baseado em percepção humana, em movimento de uma massa de usuários. A capacidade técnica mais a execução social — o contato com o mundo humano, com uma sociedade.

II)

Não há o que defender e não há o que apropriar. O próprio Bitcoin, como posto, não pode ser utilizado diretamente pelo sistema atual. O software é domínio público. Nem GPL é.

Um sistema monetário de renda básica é insubvertível. Ele só pode ser destruído. Qualquer tentativa de subversão está fadada a acabar promovendo o principal, que é o dispelling da grande mentira do mundo da “dívida” e do “trabalho.” Por causa de uma variante do Streisand Effect.

A própria subversão da Renda Básica Universal pela Renda Básica Nacionalista Xenofóbica não é perfeita. Eles estão tendo que dar uma mega-volta, instalar fascistas por todo o lado, pra depois tirar o bode da sala e re-instaurar o UBI seletivo, só pra gente branca nos lugares brancos, e ninguém se queixe ou olhe pra fora pra reclamar do genocídio dos marrons.

A “subversão” do Bitcoin está sendo uma mera cópia da tecnologia, tentando vender uma solução mais rápida e eficiente para as corporações, para que estas não usem o Bitcoin aberto.

Um sistema anárquico de renda básica, vai fazer o quê? Só copiando o nome e fazendo algo completamente diferente.

Que o Sr. Smith venha e destrua. Coma o que eu fiz. Esse é o objetivo. Se fizerem isso, meu trabalho está completo, vai me poupar muito trabalho. Vide fim do Matrix 3.

III)

Valor da moeda: SIM!

O gargalo agora é o sistema de identificação. Veja que o sistema do democratic.money ali é um esquema de votar no perfil. Isso eu já vi que as pessoas não vão entender (ou eu não vou conseguir fazer uma interface, sozinha, que seja boa o suficiente para que as pessoas entendam esse processo democrático de identificação). Precisou 15 pessoas se cadastrarem pra ver que ninguém quer botar seus dados lá. Ninguém vai levar a sério isso.

Por bem ou por mal, tem que ser baseado em documentos. E eu sei como fazer isso de forma segura, sem que a pessoa tenha sequer seu nome ou numero de documento vazado. Mas tem que ir uma pessoa, tipo um agente do Censo/IBGE, vai na sua casa, senta com você 30 minutos, e te dá uma identidade global pra você poder receber sua renda básica em moeda digital, em um sistema que é tecnicamente escalável para 10 bilhões de pessoas, com tempo de resposta de todas as transações em segundos e com custo zero de transacionar. O gargalo é o sistema de identificação, e não a moeda.

Eu tentei fazer um sistema de identificação “integrado,” que não precisasse de ninguém batendo perna no mundo real. E eu acho que isso não é suficiente. Para as pessoas levarem a sério, precisa ter “os documento.” Aí vão achar que é real.

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