O Brasil Hegemônico

(Esse texto, escrito em meados de 2008, não fui eu quem escreveu: é de uma fonte que quer permanecer anônima)

Em 2108, o Brasil é a potência hegemônica. O gigante latino-americano impõe o samba e o carnaval a todos. Até o presidente chinês é obrigado a mexer os pés, e realmente não tem escolha. Tudo isso sem exportar bens industrializados. Pois o Protocolo de Vatapá valorizou a feijoada. E esta já passa de duzentos dólares o barril. Ano passado, o presidente Silva mandou destruir o memorial de Chuck Norris, consagrado ator e presidente americano. Aquele que tentou invadir a Amazônia durante a Grande Sede de 2057, quando faltou água no mundo. Todos sabem que atores e esportistas não podem presidir nações. No Brasil temos o exemplo de Kaká, grande carreira como jogador, mas péssimo como estadista. Tentou impor o fundamentalismo cristão sobre o país. Teríamos todos que rezar 132 vezes ao dia, em direção a Roma. Inconcebível. Diziam os mais velhos, até congelar a poupança era melhor. Os estados pobres do sul até aceitaram, mas os estados ricos do norte se rebelaram e massacraram a rebelião. Kaká pegou 10 anos de goleiro. Por decreto, comentaristas esportivos não mais podiam elogiá-lo. Vanucci rompeu o silêncio. Nunca mais foi visto. Em seu apartamento só acharam as garrafas. Assumiu o vice, Romário, que morreu às vésperas da posse. Era o fim dos esportistas no poder. O que estava por trás da morte do baixinho só foi descoberto 30 anos depois, com a abertura pública dos arquivos. Foi a “mulada,” golpe militar vindo do todo-poderoso estado do Tocantins. Desde então, Palmas é a capital nacional. Ou mundial, como chamam os ingleses, que arriscam suas vidas ao mar, com uma jangada, para tentar a vida no Brasil. Alguns acabam entrando e roubando nossos empregos. Por causa disso o presidente Luciano Huck construiu um grande muro contra a Argentina. Mais tarde se envolvia num escândalo sexual com uma tiete e teria de renunciar. Era o fim dos artistas e a volta dos esportistas ao poder político. Vanucci volta do exílio no Sudão e toma o poder. O Brasil ganhava todas as copas do mundo. Fomos o primeiro país a meter 10 gols em final, na França, contra os franceses. Por coincidência, duzentos porta-aviões brasileiros passavam por ali. Foi a festa dos marinheiros de 2098, selando o século brasileiro. O povo pedia mais um!

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