Inventaram-me normas para eu não correr o risco de fugir. 
Aceitei!

Ditaram-me as regras do que seria uma vida grandiosa contanto que eu fosse trivial. Segui à risca cada letra regrada!

Moldaram-me de uma forma que não incomodasse ninguém. 
Moldei-me ao gosto dos outros!

Sopraram ao meu ouvido a personalidade que eu deveria ter. 
Adaptei-me!

Criaram meus valores morais com base na hipocrisia daquilo que eles deveriam não fazer. 
Programaram-me!

Disseram para eu me conformar com aquilo que eles pensavam de mim. 
Acreditei que assim eu seria aceito!

Aceitaram-me enquanto eu não incomodava, me quiseram enquanto eu servia, me achavam apenas algo e não alguém.

Tudo isso não mais me serviu quando quebrei todas aquelas correntes pesadas que me arrastavam para o fundo de mim.

Quando todas as opiniões, conselhos e bobagens que diziam já não me serviam mais, saltei!

Um salto para o novo com a certeza de que eu não mais voltaria ao mesmo molde, à mesma tristeza, ao mesmo amor, à mesma morte.

E lá de baixo eles olhavam preocupados enquanto eu caía para cima, ficaram pasmos achando que minha felicidade era um blefe de quem apenas se embriagou, olhavam entre si e não acreditavam que alguém poderia se transformar em essência e deixasse de ser algo certo e morno.

Invadi o meu sistema central, desprogramei todas as minhas certezas.
Libertei-me!

Li Edson Marques, Osho, Nietzsche, Bukowski. 
Criei minhas próprias regras.

Personifiquei meu lado mais vivo para que ele dançasse à luz do Sol com minha própria sombra. 

Escolhi ser o que sou e quem sou.

Vivi de verdade de uma vez só, libertei-me de todas as prisões invisíveis, desapeguei-me de todas as coisas, comecei a colecionar apenas as essências, apenas as essências.

Francisco Dalsenter