Para que serve o seu trabalho?

Ao assistir um documentário sobre os primeiros grandes empreendedores americanos do século 19, pude entender um pouco melhor sobre a força que os impulsionava para sempre seguir em frente. A visão aguçada, a capacidade de planejar em anos e não apenas em meses, a grande habilidade nos negócios e algumas trapaças não eram necessariamente a fórmula do sucesso para eles.

Os grandes empresários americanos no final do século XIX estavam mudando toda uma nação com suas grandes obras e empreendimentos que se concentravam em petróleo, aço, transportes e bancos. Após anos de bonança e grandes feitos, a grande sacada era fazer com que maior parte de sua fortuna fosse utilizada para criar oportunidade para pessoas que tinham poucos recursos financeiros e de uma maneira geral melhorar a vida da humanidade com a construção de escolas, bibliotecas, fundações e financiamentos para erradicar doenças.

Fico imaginando o que sentiam quando mudaram o objetivo do jogo e ao invés de focar nos dividendos, focaram nas pessoas em que estavam ajudando a mudar de vida, a ter uma educação de melhor qualidade, a sofrer menos com doenças e por fim a serem mais felizes. Muitos empreendedores como Bill Gates, Mark Zuckerberg, Salvador Arena, Andrew Carnegie dentre tantos outros, enxergaram que ajudar a humanidade com os seus produtos e serviços era ótimo, os tornava ricos e influentes, mas tenho certeza de que a busca final deles e de muitos outros era ajudar pessoas a realmente mudar de vida.

E o que isso tem a ver com você? TUDO!!!

Quando somos pequenos e ainda não contaminados pelos preconceitos, agimos de forma a dar ao outro aquilo o que não precisamos. Acredito que essa seja a nossa natureza fundamental e mais elementar. Porém, com todo o processo de construção da nossa personalidade, somos influenciados pela educação formal, família, amizades, religião, mídia e o governo. Essa influencia em geral tende a nos fechar em nichos, a ter medo do outro, a não confiar, a se isolar em nosso mundo, a ver o mundo com escassez e o outro como ameaça.

Talvez seja essa a explicação para a nossa limitada perspectiva de mundo quando falamos de trabalho como transformação e não como alienação.

Após passar por diversas empresas, me dei conta de que passei muito tempo confinado no pensamento padrão: "bater metas para ganhar dinheiro, para comprar coisas, para me sentir importante, para trabalhar mais ainda, para bater metas..." Já falei um pouco sobre isso em outra reflexão minha sobre talento.

A partir do momento em que eu percebi para que serve o meu trabalho, a coisa toda mudou. Passei de um simples vendedor com o foco apontado apenas para o número que alguém definiu para a minha vida, para alguém que quer usar o trabalho como instrumento para ajudar as pessoas. Comecei a ligar os pontos na minha vida e percebi que posso muito mais do que apenas bater metas, posso mudar vidas e influenciar pessoas com a minha energia. Não é a toa que me considero mais um empoderador de pessoas do que um vendedor de software para avaliação de desempenho.

Aliás, todos os dias quando acordo, penso em como posso ajudar alguém a se desenvolver na empresa em que trabalha. Com esse pensamento meus olhos brilham mais quando converso com qualquer pessoa de RH que conheço, pois a vejo como outro instrumento de transformação para as pessoas que possam usar o que a minha empresa criou para ajudá-las a se desenvolver profissionalmente.

Eu poderia ser qualquer outra coisa, talvez um médico, um engenheiro, um pipoqueiro, um faxineiro. E tenho a certeza de que sempre que eu tiver a exata noção que o meu trabalho serve para ajudar pessoas e mudar vidas, eu sempre estarei no caminho certo.

Tenho a certeza também de que esse menino na foto é mais rico do que muita gente que tem apenas dinheiro para dar aos outros em troca de alguma lealdade.

E o seu trabalho, para que serve?

Francisco Dalsenter - Trabalha como empoderador de pessoas na Umanni e acorda todos os dias pensando em como pode melhorar um pouquinho mais o mundo em que vive através do seu trabalho.