Zoológico humano

Há algum tempo venho questionando a existência de zoológicos e se faz sentido levar meu filho, por exemplo, para ver animais fora do seu habitat, confinados em pequenos espaços e separamos de nós por grades.
Eis que pensando sobre opções de morar em casas, ter um espaço com jardim e mais liberdade, de repente percebo que nós, cariocas, também vivemos confinados. Confinados em espaços que podem variar de tamanho de acordo com o seu poder aquisitivo, mas, essencialmente em espaços cercados por grades, que nos protegem do mundo e da violência lá fora. Ande pelas ruas do Rio ou São Paulo e tente contar quantos prédios não tem grade na frente. Se houverem, serão minoria. Agora lembre de alguma grande cidade fora do Brasil onde se vê situação semelhante? Não conheço todo o mundo, mas não consigo me recordar de nenhum caso assim. São Francisco, Nova York e Paris não tem grades.
Quando é que nos acostumamos a viver enjaulados e passamos a achar isso normal? Em São Paulo uma já não é suficiente, em geral os prédios possuem 2 portas e uma só é aberta depois que a outra é fechada. Vivemos em regime de segurança máxima sem nos darmos conta que perdemos nossa liberdade.
Viver seguro é viver livre, é poder deixar as portas abertas. É hora de sair da jaula e buscar essa tal liberdade.
