Carta #2 | uma conversa sobre o "fazer"

Esse mês mal começou e já dá pra dizer que estou obcecada por um único assunto: o fazer. Claro, estou sendo super influenciada com a chegada do natal, questionando se a gente tem mesmo que comprar presentes, se faz sentido gastar tanto dinheiro. E, principalmente, se aquela pessoa que a gente gosta tanto e que faz parte da nossa vida o ano todinho merece ganhar um presente mais ou menos, sem alma, comprado em uma loja que não diz nada.

Será que não vale dar um agrado que demonstra nossa visão de mundo, nossos valores? Além de gostar demais da ideia de presentear com um pedaço de mim (=algo que eu fiz/que eu busquei aprender fazer), tenho certeza de que vou agradar muito mais e começar conversas deliciosas. Vou ter a oportunidade de contar pra muitas pessoas como o “fazer” é transformador. Uma amiga, me explicando o que achava dos presentes feitos a mão disse: “…requer tempo, um pensar verdadeiro na pessoa que recebe, empenho e coração!”. Não poderia falar melhor, é isso!

E eu já disse por aí que o fazer nos dá a oportunidade de testar o valor intangível das coisas, de entender o que é realmente difícil, trabalhoso, demorado. Principalmente na cidade grande que a gente vive, o lugar que a gente compra é muito longe do lugar onde as coisas são feitas, então a gente não está acostumado a pensar e enxergar esse processo. Quando eu faço os meus cosméticos, quando eu cozinho, ou quando eu costuro, eu passo a ter base pra decidir se eu prefiro comprar de quem faz ou de quem tá só sentadinho mandando os outros fazerem barato.

Sabe o que é mais legal? Nem precisa nascer sabendo, pra quase tudo a gente encontra tutoriais em vídeo na internet, e o que não achar, pode perguntar pra avó, pra vizinha… Pense nas infinitas possibilidades de encontro que produzir sua própria roupa ou assar um bolo pode trazer. E olha, também não precisa ir na 25 de março (uma rua de comércio popular em São Paulo, pra quem é de fora) e comprar um monte de coisas para misturar e fazer um presente. Dá pra fazer bastante coisa com o que se tem em casa, dá pra repensar se precisa mesmo de embalagem.

E apesar do gancho dos presentes, fazer é mais que isso: é sobre construir, transformar, resgatar origens, criar vida a partir do nada e também compartilhar. Vamos pensar nisso agora ou vamos deixar pro ano que vem? Quem quiser se encontrar comigo pra colocar a mão na massa já, ainda esse mês, põe o dedo aqui (responde esse e-mail) que eu mando as instruções.

Beijos,
 Fê Canna ;)


Fazer é uma alternativa pra quem tá repensando o consumo, pra quem quer ter o controle da própria vida, não é uma regra pra encontrar a felicidade. Dá pra escolher presentes de forma melhor também, recomendo muito esse texto aqui da Oficina de Estilo.


Pra quem quer fazer as próprias roupas, eu indico sempre o Ateliê Vivo. Além de ser uma biblioteca compartilhada de modelagens, dá pra fazer lá mesmo seus projetos, com ajuda de um especialista. Quem quiser saber mais pode ler esse texto aqui.

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