Carta #5 | sobre vários tipos de imperfeição

Eu não acredito que seja fácil ser mais sustentável (ou consciente), requer muita informação, tempo e trabalho. Quem diz que é fácil está mentindo. Eu te encorajo a buscar soluções que façam sentido na sua vida, com a consciência de que ser 100% vegano ou 100% livre de lixo, são algumas das utopias que a gente que vive em grandes cidades está longe de alcançar. E tudo bem porque 100% é muito e talvez 80% ainda seja muito. Mas o que a gente pode fazer sabendo que a perfeição não existe? Focar no que é possível, aprender constantemente e com isso, fazer cada vez melhor. Abraçar a nossa imperfeição e permitir que nossos amigos também tenham dificuldades e falhas.

E na internet, quase nunca a gente se dá ao direito de não ser perfeito, de mostrar nossas fraquezas (ou as nossas fotos não tão boas). O mundo online é repleto de monstrinhos que apontam o dedo para qualquer falha. Fica especialmente difícil quando a gente é mulher; vamos dando passos pra longe da auto aceitação ao mesmo tempo que clicamos incansavelmente nos produtos indicados pelas blogueiras. Como se fossemos ficar mais bonitas ou mais femininas sendo pegas por esse estímulo consumista. Mas não vamos, não dá para preencher o vazio dessa maneira. E é por isso que é tão bom que exista um espaço para mulheres falarem sobre qualquer assunto com acolhimento, como é o fórum da Comum. Entra lá e indica para as amigas!

E pra citar um último exemplo dentro desse tema (que pode trazer questionamentos em qualquer área da nossa vida), eu queria te apresentar o projeto Fruta Imperfeita. É uma assinatura de cestas de frutas (tem legumes também!) que nunca chegariam ao mercado por estarem fora do padrão. Isso nada tem a ver com qualidade ou segurança, esses alimentos tem o mesmo sabor e as mesmas propriedades nutricionais dos outros. Eles são deixados de lado por não caberem nas bandejas de isopor (!) ou por serem pequenos demais, por exemplo. Em um país onde mais de 30% dos alimentos são descartados, temos que aplaudir iniciativas como essa que podem mudar os padrões de consumo. Além disso, criar mercado regular para esses alimentos ajuda os pequenos produtores locais a se manterem. Os produtos não são orgânicos (quem sabe no futuro?) mas o serviço pode gerar conversas além de incentivar o consumo de alimentos frescos.

Eu certamente não saio por aí falando que sou perfeita e que tenho todas as respostas, mas gosto de contar o que eu tenho feito e falar sobre o que eu acredito. Espero que possamos fazer essa jornada juntos, com muita troca e aprendizados. Se você chegou agora pode ler as cartas passadas nesse endereço aqui. Me conta o que você tá achando? Como esse conteúdo poderia ser ainda mais relevante pra você?

Beijos,

Fê Canna

// Esse texto foi escrito originalmente para a minha newsletter. Para se inscrever, clique aqui.