PERDER

Hoje o dia está cinza. Mas cinza e chuvoso (o que é um agravante). E eu juro: têm motivo.

Ontem recebi uma notícia que acabou com a minha semana, logo na segunda-feira. Sabe aquela pessoa que, desde a primeira vez que trocou meia dúzia de palavras com você, sempre te tratou como o melhor ser humano do universo? Confesso, tenho apreço especial por pessoas assim, já que, por N motivos, não sou tratada dessa maneira por boa parte das pessoas com as quais cruzo ao longo da vida (sabe-se lá por qual motivo, ou sabe-se…). Mas as que me importam são essas. As que fazem um “oi, você vai precisar assinar aqui e aqui…” e mais trocentas frases burocráticas terem a entonação de um elogio, de um afago, de uma acolhida. As que perdem (ou, segundo elas mesmas, ganham) seu precioso tempo para prestar atenção em algo que é importante para você. As que te sempre te desejaram sucesso, conquistas, vitórias e sorrisos.

Essa pessoa, a pessoa que, há dois anos, tornou-se alguém com quem pouco tinha contato, mas que, quando tinha, valia meu dia, está sofrendo. E, ouso dizer, que está sofrendo a pior das dores. A dor da perda. “Perdê-la” como presença constante no meu dia-a-dia, há poucas semanas atrás, já me fez querer chorar como um bezerro que acaba de ser desmamado com apenas um abraço e um “boa sorte” sincero (como todas as palavras que saem da boca dela). Imaginar que uma pessoa tão pura quanto ela, esteja vivendo a perda dele da forma mais profunda e cruel que alguém (alguém mulher) possa viver, me faz querer voltar aquele abraço para chorar o que não chorei, para dizer o que não disse, mas, principalmente para mostrar que ela só merece o melhor.

Não isso. Não hoje.

Sou de rezar sim. Hoje até sai com meu cordão folheado com a imagem da minha mãe protetora em lembrança à ela, para que minha santa (e todos os santos) a protegesse. Eu, ela, seu companheiro, nossos amigos e todo e qualquer deus existente, estamos tristes.

Hoje o dia está cinza. Cinza e chuvoso (o que claramente é a junção de tanta tristeza e lágrima).

Com carinho, 
Um texto de condolência àquela que sempre me incentivou e exaltou meu amor pela escrita.

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