Universidades Federais do Estado de São Paulo desenvolvem pesquisas de ponta para diagnóstico e tratamento das pessoas com câncer

Estudos para diagnóstico da doença, cuidado aos pacientes e promoção da qualidade de vida são destaque nacional e internacionalmente

Federais SP
Jun 18 · 9 min read

Interação entre universidade e sociedade ajuda mulheres acometidas por câncer de mama

Pesquisadores da UFABC, com o auxílio da Associação Viva Melhor, formada por pacientes em estágio de pós-tratamento para a cura do câncer de mama, utilizam tecnologia para desenvolver prótese mamária que pode ser produzida com mais facilidade e proporciona conforto e sensação de naturalidade à mastectomizada.


Pesquisa básica a serviço do tratamento do Câncer

Docente da UFABC estuda biologia das células tumorais e ação de diferentes drogas no combate à doença

Você sabia que alguns fármacos que são utilizados no tratamento de outras doenças podem ter ação contra alguns tipos de câncer? Essa é uma das linhas de pesquisa desenvolvidas pela Universidade Federal do ABC (UFABC), liderada pelo docente Tiago Rodrigues, do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas e em Biotecnologia da instituição.

Atuando na pesquisa básica, Rodrigues busca estudar o papel das mitocôndrias no processo de morte em células tumorais. Segundo ele, essas organelas são muito conhecidas pela produção de energia dentro das células, mas diversos estudos mostram que elas podem controlar outros processos, incluindo a morte celular. Assim, no caso das células tumorais, entender esses mecanismos mitocondriais é ainda mais importante, uma vez que elas desenvolvem diversas estratégias para sobreviver. “É importante estudar a biologia das células tumorais e como as vias moleculares se alteram para dar vantagens de sobrevivência e multiplicação acelerada, que resulta no crescimento do tumor. Entender o funcionamento da célula tumoral e suas diferenças em relação às normais nos permite prospectar alvos para o desenvolvimento de novas drogas”, afirma o docente.

O pesquisador explica que uma das classes de drogas estudadas em seu laboratório, as fenotiazinas, já são utilizadas em medicamentos antipsicóticos, sedativos e antieméticos desde a década de 1960, mas que recentemente mostraram-se eficazes no combate às células tumorais de diversos tipos. Dessa forma, essas drogas podem ser usadas futuramente como auxiliar no tratamento oncológico, não só pela eficácia, mas também por seu baixo custo e pela facilidade da utilização do composto na pesquisa. “É uma tendência que já se observa em países desenvolvidos, chamada reposicionamento de drogas, que trata de avaliar os possíveis efeitos antitumorais de fármacos disponíveis no mercado que são usados para outras doenças. Com esse tipo de abordagem, toda uma fase de pesquisa básica e pré-clínica, incluindo ensaios toxicológicos, é abreviada, uma vez que a droga já é aprovada pela Anvisa e, dessa forma, o tempo de estudos e custos diminuem muito”.

Nesse sentido, Rodrigues destaca também a importância da pesquisa básica no processo de desenvolvimento de medicamentos, não apenas na área de Oncologia, como em todas as outras. “Há uma estimativa de que entre 10 a 15 mil moléculas são triadas em pesquisa básica para que uma chegue à prateleira da farmácia ou do hospital e esteja disponível à população. É um processo que pode demorar entre 10 a 20 anos e gastar centenas de milhões de dólares. Temos uma busca incansável dentro da academia para triar moléculas e descobrir alvos para que a gente consiga se encaminhá-los para estudos em animais de pequeno porte ou seres humanos”, conclui.


Laboratório desenvolve nanopartículas portadoras de fármacos com atividade biológica

Pesquisadores da UFABC desenvolvem materiais em escala nanométrica que podem ser utilizados como veículos para fármacos com atividade biológica utilizados no tratamento de câncer, aumentando o tempo de ação das partículas que atuarão no tumor, o que resulta na diminuição da dose do medicamento e, em alguns casos, permite o direcionamento do material para a célula tumoral.


Programa oferece apoio multidisciplinar a pacientes oncológicos

Estudantes e profissionais da Unifesp, de várias áreas do conhecimento, além de muitos voluntários, formam o programa Acolhe Onco, que oferece cuidado integral a pessoas em tratamento de câncer, com o intuito de proporcionar qualidade de vida ao paciente e à sua família. O serviço capacita pessoas da sociedade que enfrentam a doença para minimizar os danos causados pela enfermidade ao indivíduo e a todos que convivem com ele.


UFSCar desenvolve teste portátil para detecção de células cancerígenas

Com uma gota de sangue, dispositivo faz análise da amostra e emite o resultado em pouco tempo

Quando as pessoas enfrentam graves problemas de saúde, como o câncer, a rotina de exames e tratamentos é desgastante e costuma causar muito sofrimento emocional, para além dos efeitos físicos que atingem o organismo. Nesse contexto, tecnologias e protocolos médicos que facilitam e agilizam a realização dos exames e das terapias podem levar mais qualidade de vida aos pacientes e tornar os processos de diagnóstico e cura menos traumáticos. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um aparelho — composto de hardware e software — para a realização de exames semelhantes a hemogramas, capazes de detectar células cancerígenas na circulação, a partir de apenas uma gota de sangue e com resultado quase instantâneo.

O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores Filippo Ghigleno, docente do Departamento de Física (DF) da UFSCar, e Patrícia Guedes Braguine, além de uma equipe responsável pelo sistema de inteligência artificial (o software, chamado Monbian), que integra o dispositivo, intitulado de IG11. De acordo com Braguine, o funcionamento do IG-11 é simples: a gota de sangue do paciente é coletada e inserida no equipamento. O sistema de hardware reúne as informações e as envia ao Monbian, que as interpreta e emite os resultados, que podem ser lidos em um aplicativo, encaminhados para um número de celular ou por e-mail, quase que imediatamente.

O manuseio do aparelho é fácil e não exige treinamento específico, o que facilita o uso nos hospitais, nas clínicas e também nas casas dos pacientes. Embora possa ser utilizado diretamente pelos pacientes, a pesquisadora reforça que o sistema não foi criado para substituir a autoridade médica, mas como ferramenta facilitadora da realização de exames sanguíneos. “Como todos os exames, os resultados apresentados pelo IG-11 devem ser analisados por um médico. O aparelho não substitui o profissional; é um instrumento que agiliza a obtenção de resultados e a escolha do tratamento mais adequado — diminuindo as tensões e a ansiedade do paciente”, aponta Patrícia Braguine.

Diferenciais

A ideia para a criação do aparelho surgiu de uma experiência pessoal da pesquisadora, que enfrentou uma infecção generalizada em 2015, quando foi obrigada a se submeter a muitos exames de sangue por dia. “Quando estive na posição do paciente me dei conta de que fazer hemogramas muitas vezes seguidas pode ser bastante doloroso, seja pelas agulhadas repetidas que vão lesionando os braços e veias, seja pela angústia na espera dos resultados”, relata Braguine.

O objetivo inicial do projeto era possibilitar a realização exames de sangue com o menor volume possível de amostra, com agilidade e alta precisão. Além disso, inicialmente, o dispositivo foi criado para detectar apenas as condições das células brancas e vermelhas. “Posteriormente, aperfeiçoamos a tecnologia para a detecção de todos os componentes que possam existir no sangue”, lembra a pesquisadora. Em relação aos casos de câncer, Braguine destaca que o principal benefício do IG-11 é a possibilidade de rápida detecção da doença e de monitoramento da evolução do comportamento das células, com menos sofrimento e angústia ao paciente.

Para ela, outro grande diferencial da tecnologia é o fato da pessoa não precisar ir até um laboratório de análises clínicas para fazer os exames de sangue, além dos resultados serem praticamente imediatos. “Em média, um resultado de exame de sangue é entregue uma hora depois ao laboratório que fez a coleta, e o paciente só terá acesso ao resultado ainda mais tarde. Com o IG11, é possível fazer um acompanhamento contínuo — diário se for preciso — verificando com agilidade a evolução dos resultados”, reforça.

Aprimoramento constante da tecnologia

A tecnologia foi desenvolvida durante dois anos e já foram feitos testes em animais e em humanos, que garantem a aplicabilidade do IG-11 no monitoramento da evolução das doenças e da saúde de pacientes. “Nos testes realizados até o momento, a tecnologia se mostrou efetiva nas análises qualitativa e quantitativa dos componentes do sangue e das células presentes, considerando inclusive que vários fatores influenciam nas características sanguíneas de cada indivíduo”, relata a pesquisadora.

Atualmente, Patricia Braguine reside no exterior e tem buscado parcerias na Europa para novos testes e licenciamento que permita o acesso mundial ao IG-11. “Nosso plano é manter as duas bases — Brasil e Europa — para a pesquisa”, aponta ela, que complementa: “Esperamos que o dispositivo seja usado nas casas das pessoas e que contribua no diagnóstico rápido, diminuindo o número de mortes e de diagnósticos não precisos”.

A tecnologia será constantemente atualizada com novos componentes eletrônicos que tenham precisão ainda mais apurada, garantindo o aprimoramento do dispositivo. “Até o momento, provamos que é possível realizar a detecção de doenças que podem ser captadas por meio da análise do sangue; para o futuro, trabalhamos com a possibilidade de análises de urina e de outros tecidos. Ou seja, pretendemos aperfeiçoar a tecnologia para a maior abrangência possível”, conclui a pesquisadora.

Pesquisadora fala sobre os impactos positivos da tecnologia na vida dos pacientes
Pesquisadora fala sobre os diferenciais do IG-11

Flora brasileira é celeiro de matéria para cientistas

Pesquisadores do Laboratório de Química de Produtos Naturais da UFABC coletam in loco plantas com o objetivo de prospectar substâncias biológicas que possam ser utilizadas no tratamento do câncer. A obtenção do extrato desses vegetais é feita de forma similar a que é feita pela população nativa da região onde o vegetal foi obtido e passa por análises e processos químicos para identificar a aplicação dessa matéria.


Molécula extraída do gengibre pode matar célula tumoral

Pesquisadoras de Laboratório da UFScar desenvolvem pesquisas com produtos naturais com o intuito de encontrar material que possa ser utilizado na quimioterapia e seja menos agressivo que o tratamento atual para alguns tipos de câncer de mama. Como resultado, encontraram a molécula Gingerol, extraída do gengibre, que está em processo de testes, mas agiu matando a célula tumoral e foi menos agressiva para a saudável. Na fase atual, a molécula inibiu a metástase nos animais com a doença.


Saiba mais sobre outros importantes programas:

Ambulatório de Mastologia - EPM/Unifesp

O ambulatório da Disciplina de Mastologia do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp)/Hospital São Paulo, conhecido como Casa da Mama, direciona seu atendimento para o diagnóstico precoce do câncer de mama, aumentando as chances de cura das pacientes. Ele está localizado na Rua Marselhesa, n.º 249, Vila Clementino — São Paulo/SP. As consultas são agendadas apenas via encaminhamento das unidades básicas de Saúde (UBS), assim como os demais exames realizados no local.
http://www.hospitalsaopaulo.org.br/noticias/item/155-hospital-sao-paulo-inaugurou-novo-ambulatorio-de-mastologia-e-unidade-diagnostica-para-pacientes-do-sus

Ambulatório de Uro-Oncologia - EPM/Unifesp

O Ambulatório de Uro-Oncologia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) realiza o rastreio, a investigação diagnóstica e o planejamento terapêutico do câncer de próstata, tumor com maior incidência do trato genitourinário. O local também atende a casos de tumores de bexiga, rim, pênis e adrenal e dá seguimento pós-operatório aos pacientes, que são oriundos das unidades básicas de Saúde (UBS). Os atendimentos ocorrem às segundas-feiras, pela manhã, na Rua Otonis, n.º 683, Vila Clementino - São Paulo/SP.

UFSCar promove ações junto a mulheres que já tiveram câncer

A Unidade Saúde Escola (USE) da UFSCar realiza o projeto “Promoção da Saúde Baseada em Mindfulness (MBHP) para mulheres que sobreviveram ao câncer”. A proposta é promover uma intervenção, com recursos da atenção plena, para tratar sintomas físicos, psicológicos e cognitivos que permaneceram após o enfrentamento da doença. Conheça o projeto em: https://www2.ufscar.br/noticia?codigo=11770

Nanopartículas atacam bactérias e células cancerígenas

Combater as células cancerígenas sem atacar as células saudáveis. Este é um objetivo que cientistas buscam sem ainda obter resultados satisfatórios. Entretanto, um estudo conduzido pelo Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fapesp e sediado na UFSCar, em parceria com outras universidades, chegou a resultados promissores não só no combate ao câncer, mas também contra bactérias. Leia mais em:
https://www2.ufscar.br/noticia?codigo=10637

Pesquisador da UFSCar desenvolve sensor eletroquímico de DNA para a detecção de predisposição ao câncer de mama

O professor Bruno Campos Janegitz, do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME-Ar) do Campus Araras da UFSCar, desenvolveu um sensor eletroquímico de DNA para a detecção de predisposição ao câncer de mama. O trabalho foi destaque na 13ª edição do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, em 2018. Leia mais em: https://www2.ufscar.br/noticia?codigo=10714


Realização:

Federais SP

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Projeto de Comunicação Integrada: Universidades Federais Paulistas • UFABC • UFSCar • Unifesp

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