Ciranda Cirandinha

Hoje o povo dança, quem criou a cantiga popular “ciranda cirandinha”, já sabia que não ia ser fácil. A utopia, a obra e o trabalho de um povo que vive dentro da sociedade capitalista, junto aos grandes empresários que correm atrás de sangue operário, já sonham com uma nova ciranda. A ciranda da liberdade. A grande mídia, que faz parte desse grupo de Dráculas, vestidos de terno e gravata, aproveita para divulgar a meritocracia, que é parente do conservadorismo, e sugam o sangue libertário desse povo, condenando os que lutam e protegendo os que matam.

O senso comum se apropriou de uma juventude de poder, escravizando os jovens para servir aos novos senhores de engenho, transformando mulheres em Cinderelas que trabalham dia e noite, mas que não conhecem nenhuma fada madrinha, e todo um povo que caleja ao deitar-se em suas camas, e quando há camas para se deitarem.

Quantos já se foram em luta por uma nova ciranda? É por nós e é por eles que os oprimidos seguem com o braço esquerdo erguido e o punho cerrado, formando uma resistência cheia de força e esperança. As conquistas que são diversas, todas foram feitas com o povo na rua, nada feito pelo grande aliado dos opressores, o Estado, este não é ninguém para o povo que carrega nas costas a luta diária e que sente o sangue escorrer pelo corpo e pela alma.

Esse povo busca, sonha e resiste por uma nova ciranda, uma música que não tenha como fundo o som do tiro de um porco que dispara contra a cor da pele de um jovem, o “bip” do cartão ponto e as risadas dadas pelos donos de fábrica a cada um real lucrado em cima do suor que escorre do rosto dos trabalhadores. A luta cotidiana do povo é por uma ciranda feita para ocupar fábricas, escolas e lares, com o povo no comando, pois eles não querem e não precisam de representantes, nem patrões, eles já levam o mundo nas costas e um pouco mais. A ciranda que corre no sangue do povo tem como coreografia a igualdade, liberdade e autonomia.

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