O relacionamento abusivo de cada vida

Eu era meio avoada, nem dava muita bola pros caras ao redor de mim, mas você parecia legal. É, a gente conversou naquela festa, trocou uma ideia sobre livros e discos esquecidos dos anos 80. Outro dia saímos pra tomar um café e eu te disse que meu bolo preferido era o de castanha. No nosso segundo encontro você quis ser legal e me deu um chocolate do mesmo sabor. A gente começou a se ver com mais frequência e de repente quando vi a gente começou a namorar. É, eu achei que foi meio rápido e eu não gostava de você o suficiente pra começar um relacionamento. Eu sei, eu tentei terminar no primeiro mês, mas você me pediu pra que não fizesse e eu achei que podia começar a gostar de você. Você me contava cada passo que você dava, deixou de sair com os amigos, mas não é culpa minha, eu nunca te pedi isso. Você me fazia surpresas e eu não respondia da mesma forma, eu não sei ser essa pessoa. Depois de um tempo você me cobrou que eu fosse assim, mas eu disse que eu não era essa pessoa. Eu não entendia, você começou a me cobrar a mesma postura que você tinha. Me pediu pra dormir na sua casa durante a semana, eu dizia que não dava, eu tinha meus motivos, mas você dizia que era eu quem não queria, que eu não fazia o suficiente pra gente ficar junto. Chamei as meninas na minha casa, te pedi pra ir embora, pra eu ter meu tempo com elas, você ficou, você sempre ficava. Você separava minhas roupas quando a gente ia sair, descobri que você tem um senso de moda diferente do meu. Minha amiga te convidou pra uma festa, eu te convidei, você disse não. Eu disse que ia sozinha, você disse que ia terminar. Mas eu disse que ia com minhas amigas, você não confia em mim? Então, você que disse que confiava em mim, não nos outros e que elas eram putas, lembra? No final eu não fui, você disse que ia terminar. Eu queria mudar minha aparência, você disse que ia terminar. Eu disse que eu não estava afim, você disse que eu só pensava em mim, a gente transou. Te chamei de babaca, você levantou a voz comigo. Eu levantei a voz com você, você levantou a voz comigo mais uma vez. Pois é, você sabia que eu tinha medo de dormir sozinha em casa. A gente brigou, gritou, você disse que ia embora, eu te pedi pra não me deixar sozinha. Você gritou comigo, eu te segurei, você me empurrou. Eu chorei te pedindo desculpas, lembra? Num momento de fragilidade eu dei prioridade a uma amiga, você disse que eu gostava mais dela do que de você. A gente brigou de novo, você me empurrou. Eu pensei em terminar, mas a gente conversou, você disse que ia mudar. Eu te via todos os dias. Você disse que eu não te colocava como prioridade. Eu não sentia mais vontade de te ver. Você foi dormir na minha casa. Eu não estava afim naquele dia, você disse que eu só pensava em mim, a gente transou. Eu estava estressada, trabalho, estudo, casa, você. A gente brigou. Eu senti raiva. Eu descontei em mim. Eu disse que eu tinha medo de você, você me abraçou. Eu não queria mais aquilo. Eu não queria terminar. Era seu aniversário naquele mês, eu não ia terminar. Dali uns dois meses eu terminaria. Eu não queria terminar, eu achava que gostava de você. Você me convidou pra sair, eu não queria ir, você disse que eu só pensava em mim. Você podia ir. Você não foi. Fala a real, você só queria me exibir, né? Você disse que eu só pensava em mim, que eu nunca fazia nada por você. Eu queria terminar, a gente conversou, você disse que ia mudar. A gente brigou, você me empurrou. A gente brigou, eu não vou dizer que eu não era grossa e estressada, mas de repente eu tinha um roxo no braço. Eu chorei, você se desculpou. Minha amiga deixou claro que não gostava de você, você só a xingou. Eu defendi. Você disse que eu era ingrata, que você fazia muito mais por mim do que ela. Você achava que era meu super herói. A gente brigou, você me empurrou. Braço roxo de novo? Eu pensei em terminar, mas eu não tinha coragem. Eu pensei em terminar, mas deixa pra mês que vem. A gente se acertou. Você pediu pra me ver, eu estava cansada, queria ir pra casa, você disse que eu não gostava mais de você. Eu fui pra casa, você veio me ver. Você chorou, disse que eu não te dava valor. Eu chorei, você disse que eu não fazia o suficiente por nós. Nós choramos, você disse que eu disse que ia mudar, mas que eu nunca o fiz. Você terminou e eu disse: “Graças a Deus.”

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