Vários idiomas, muitos mundos

Aprendizado de diferentes línguas contribui para o desenvolvimento de relações globais entre os seres humanos

Serviços como o Google Translate levaram comunicação a outro nível (GIF: Google Blog Ucrânia)

Desde muito antes da História passar a ser documentada, o homem tem procurado diversas maneiras de estabelecer a comunicação entre suas comunidades. Com o passar das eras e o desenvolvimento de diferentes culturas, a linguagem oral, e depois a escrita, também foram se adaptando à vida cotidiana, a partir da influência de vários povos.

Este processo, que nem sempre foi simples, permitiu de maneira positiva a difusão de inúmeras formas de vivenciar o mundo, e o idioma teve um papel fundamental. Graças a isto, por exemplo, temos fenômenos como sotaques variando entre regiões de uma mesma nação ou traduções diferentes para determinada palavra em países que falam uma língua similar.

Ainda no aspecto histórico, não entrarei no mérito de como ou por que motivo há tanta disseminação dos idiomas pelo planeta. Imagino, contudo, duas hipóteses: por meio da observação contínua dos fenômenos e aspectos naturais ou, o que é mais provável, e que sem dúvida ainda é polêmico nos dias atuais, a tal da apropriação cultural. Um claro exemplo são os algarismos indo-arábicos, que até hoje se tem razoável certeza de sua criação e utilização, mas que atualmente são universalmente aceitos, em um dos primeiros casos documentados de globalização de costumes.

Outro: o idioma português. Falado, no início, em Portugal, obviamente, foi espalhado para as colônias por meio das Grandes Navegações, por volta do século XIV. Onde desembarcou, ganhou características próprias, como no Brasil. Por aqui, ele perdeu muito a tendência anasalada, criando uma verdadeira cisão na língua. Mas em São Paulo, Lisboa, Goa, Macau ou no Timor-Leste, é o mesmo português.

De maneira semelhante, em um mundo cada vez mais globalizado que vivemos hoje, o papel do idioma tende a continuar sendo preponderante no estabelecimento de relações de confiança, principalmente no âmbito comercial. Tecnologias como a Internet e seus serviços instantâneos de tradução encurtaram ainda mais estas distâncias, proporcionando o acesso relativamente facilitado a conteúdos tão diversos quanto podemos imaginar. Ser bilíngue ou poliglota já não causa mais estranheza, na maioria dos casos.

Assim, para entender a realidade de um determinado local, é necessário contextualizá-lo de acordo com sua cultura, o que passa necessariamente pelo aprendizado do idioma. Crianças que desde cedo aprendem a pensar num contexto global se tornam, mais tarde, adultos com diversidade de opiniões.

E claro, além de todas as questões culturais, aprender um novo idioma estimula o raciocínio, a cidadania e desenvolve o senso crítico, além de abrir portas para o mundo. Neste caso, aí vai um conselho: não importa o idioma, se é inglês, alemão, espanhol, mandarim… O importante é apenas onde você quer chegar.