O que não te contam sobre largar tudo

21 Júlio 2017 — Tenerife

Felice Marano
Jul 21, 2017 · 4 min read

Hoje em dia a gente vive uma exposição muito grande nas mídias sociais sobre vidas de viajantes, sobre o que significa largar tudo “do dia para a noite” e viver uma experiência de viagem ao redor do mundo.

Primeiro que, na minha opinião, é realmente muito difícil alguém conseguir “do dia para noite” largar tudo e embarcar numa aventura dessa. Mesmo que seja só viajando de car pooling, trocando experiências por acomodação e todo o resto. Se não tiver um mínimo de planejamento, acredito que também a aventura mais louca possa logo virar um inferno. Isso, porém, vai ser outro textão.

O que eu vi falar aqui hoje é que através das lentes do Instagram, do YouTube e das principais mídias sociais, nós somos quotidianamente expostos a uma vida de viajante extremamente positiva, cool, muito leve e sem tantos pensamentos assim. Os nossos favoritos modelos de referência, conseguem com muita simplicidade estar cada dia num canto diferente do mundo, como isso fosse a coisa mais fácil e incrível do mundo.

Não me entendam errado, não estaria fazendo isso depois de 7 anos, se não fosse de qualquer forma tão incrível assim. Eu garanto!

A verdade, porém, é que ontem, como em outras ocasiões, eu tive um enorme desabafo, se é assim mesmo que fala em português. Eu senti que o que eu mais tinha falta ao redor de mim era a minha vida no Brasil, os meus amigos de São Paulo e a minha rotina na maior cidade da América Latina. Eu nunca voltaria por trás, não me interpretem mal.

Mas eu senti saudades? Eu senti.

Saudade de acordar todos os dias ao mesmo horário consciente que ia chegar no meu escritório em Pinheiros, ver pessoas queridas e começar um dia de trabalho com elas. Falta daqueles outros dias em que eu não aguentava mesmo a ideia de ter que acordar, ficar no transito e depois ter que lidar com um monte de regras, ir naquele mesmo escritório e lidar com pessoas medíocres e folgadas (desculpa a sinceridade aqui rsrs). Muita melancolia do metrô ao lado de casa, de entrar nele e me perder na imensidade de uma cidade como São Paulo. Saudades das sextas a noite e de voltar finalmente ao Nossa Casa (não na minha casa, é Nossa Casa mesmo) e dançar música brasileira até o mundo cair, até o lugar fechar, até eu ser tirado fora de lá, LITERALMENTE TIRADO FORA DE LÁ. Falta dos amigos internacionais e dos amigos brasileiros; dos amigos feitos numa realidade na qual as vezes parece tão complicado, até mesmo impossível, fazer amigos. Pessoas conhecidas no carnaval, na Praça Roosvelt, numa balada ou por conta do trabalho.

Valle dei Templi — Agrigento 2010

Como viajante, saudades a gente sente mesmo, enfrenta dificuldades e se depara com momentos ruim. Um dia, por exemplo, a gente acorda e pensa que a vida não foi sempre tão brasileira assim, pelo menos eu, ne? Que eu tenho uma mãe e um pai que moram na Itália, que os meus melhores amigos e irmãos também estão vivendo lá (ou em cantos completamente diferentes desse mundo). Que teve de repente até começar a lidar com um outro eu, que emerge lentamente, lembrando para você que suas saudades vão ter que se espalhar lentamente em cada lugar em que você já viveu. Eu já tive saudade do Qatar no Brasil, por exemplo, saudade da Alemanha na Irlanda e sinto fortemente saudades do Brasil estando aqui nas Ilhas Canarias. E isso mais acontece quando a gente não para só alguns dias num lugar, mas começa mesmo mergulhar numa outra cultura, aprender novas tradições e absorve-las, aprender o idioma e passar meses, até anos naquela mesma realidade. Nós formamos assim uma nova identidade, um novo eu, que pouco se parece com aquele original. Um eu que aprendeu lidar com o trabalho de uma forma diferente, que aprendeu comer coisas completamente novas e razocinhar de um jeito que outros nem vão mais entender.

Dito isso tudo, se eu fecho os meus olhos e penso no que mais me deixa feliz e vivo na vida, não deixa de ser a emoção de viver cada instante num lugar diferente e levar essa incrível vida de nômade.

Se isso for o que mais move o seu coração também, esqueça seus medos e ansiedades, pare de prestar muita atenção na influência de amigos e colegas. Seja consciente, isso sim, mas se jogue no mundo, viva um pedaço da sua jornada dessa forma maravilhosa. Acredite, com o tempo você também vai aprender valorizar mais cada instante dessa emocionante jornada, também aqueles em que a saudade parece ser tão grande que nunca vai acabar.

Junte-se a minha aventura:
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Youtube: Felice Marano

Leia a matéria do Catraca Livre sobre minha história aqui.

Felice
#NãoéFelipe rsrs

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Felice Marano

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Pensador Nômade | Escritor | Evolução Pessoal | LGBTQ & Diversidade | Tireless Traveler | MADE IN NAPLES! Siga minha jornada no Instagram @ forgetaboutit.travel

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