Quarto

Eram quinze metros quadrados em um quarto de paredes brancas, sem prateleiras ou fotografias. Eu via apenas um desenho de dois balões de hélio amarrados na beira da cama e da janela havia muitas árvores que se debatiam lá do quarto do vizinho.

Não tinha sala de estar no apartamento, o que fazia que todo o tempo disponível se desse naquele quarto. A cozinha era apertada e de é de lá que eramos mais felizes. O banheiro era um tempo de solidão e liberdade e o toda a ânsia que me fazia trancar aquela port se revirava em saudade e vontade de sair dali, deixando a porta trancada e junto dela tudo que deixado minha barriga doer, maltratada com tanta pimenta e alho em horários não recomendados.

Era sentado e suado depois de muito trabalho que eu olhava para geladeira e tinha espaço para atender ao telefone. Eu era um dos últimos que falava no telefone, talvez pela dificuldade que sempre tive em escrever e preferir que meus pensamentos se esvaíssem rapidamente, não tendo que encará-los mais ou menos vinte ou quarenta minutos depois.

E no quarto o que mais nos espantava era não saber a temperatura que estaria lá fora quando fossemos obrigados a sair. O mundo era tão estranho e tão cheio que a sensação constante era a de que precisávamos sempre de um casaco na mala e não podíamos esquecer o guarda chuva, mas qualquer par de meias nos faria suar e sermos incapazes de manter a atenção em qualquer conversa decente.

E agora continuo morando na mesma casa e o quarto está para alugar.

Stay inside our rosy-minded fuzz

E de tudo isso o que eu me lembro está muito distante da falta e provoca em mim apenas o efeito de querer ficar quieto, quietinho no meu canto.