Obrigado por esse texto. É sempre muito foda ler um texto assim, uma coisa mais conversa e menos análise crítica da IGN. Fiquei muito feliz mesmo. Acho que a associação com a arte sempre foi uma questão e sempre vai ser. Acho que é um questionamento que traz muita coisa junta, daqueles que não possuem resposta (assim como o nosso questionamento do que é arte e o que não é).
A história dos jogos nos mostra que jogo eletrônico é uma coisa que mudou muito com o tempo. Aquele jogo com fundo de tela preta com uns quadrados que piscavam se transformaram em coisas muito mais complexas. Não gosto de usar a palavra "evoluiram" pq acho que não saiu de algo "ruim" para algo "melhor". Não consigo pensar em "evolução" dos jogos eletrônicos quando ligo o Nintendo de 1985 e boto o primeiro Legend of Zelda pra jogar. Aquilo é algo em seu estado mais completo e definitivo possível. Mas acho que os jogos mudaram. Assim como nós mudamos. Assim como nossa noção de arte mudou.
Os jogos simplesmente caminharam e se associaram com outros campos do conhecimento. Você joga coisas que te dão uma sensação de deja vu de Hollywood, outras coisas mais loucas e experimentais, parecidas com clipes musicais. Coisas com roteiro, trabalho de câmera e recurso de quebra de quarta parede. Coisas que parecem jogo feito em flash em 2002. Coisas que se aproximam da teoria de Darwin. Enfim, jogo de tudo ♡
Acho que o ponto desse pensamento e conflito da comparação com arte vem sempre do mistério e da imprecisão que a palavra arte envolve. Quem estuda arte sai sempre com mais perguntas do que respostas
(sei lá, comigo aconteceu).
Acho que o fato de partir de uma criação humana, com suas próprias características e interações também ajuda a associar.
Criamos coisas constantemente (nem sempre mostramos, mas criamos), pode ser um desenho que fizemos com uma pedra na areia por 10 segundos pq não tinha nada pra fazer, pode ser uma musiquinha que não existe e que toca na nossa cabeça.
Algumas pessoas resolveram criar essa coisa doida que te permite controlar algo que passa na tela de tv. As vezes pra ela isso vai ser arte, as vzs não vai. Isso vai mudar e ser relevante ou não dependendo sempre de como a gente enxerga, assim como arte.
Acho que parte dessa aproximação acontece como uma defesa a partir de um momento de certo desmerecimento (videogame é brinquedo chique, videogame faz mal, é um monte de luzinha piscando, um monte de boneco se matando, etc etc etc) e aí a aproximação disso pra uma definição que leve mais pro lado da criação que foi trabalhada, digerida, e nasceu, como algo que tenha a sua razão de ser.
Acho que a pergunta é sempre válida e a resposta nunca vai ser direta. Assim como nossa definição de jogo bom. A nossa sensação ao terminar um jogo ou o que sentimos ao matar virtualmente alguém ou algo.
Independente disso. Jogos são experiências e nos cativam como muitas outras coisas cativam. De formas muito diferentes. Mas cativando por razões que sempre vão continuar nos fazendo pensar e conversar assim como agora.
Desculpe o prolongamento
Obrigado
:)
