Demoliram o palco das melhores lembranças da minha vida

Com profunda tristeza descobri que não existe mais o antigo prédio do colégio onde estudei durante a minha adolescência

Não sei se o ano era 1988 ou 1989. Mas me lembro do meu primeiro dia de aula na Sabec, em Barra Mansa. Lembro claramente da minha mãe me levando até a escola e de como ela segurava a minha mão. É incrível como certas lembranças não se apagam. Ela perguntou na portaria em qual turma o Serginho estudava. Ele é meu primo, tem a minha idade e naquela época também era meu vizinho.

“Ali, na sala da Tia Florência”, disseram. A Tia Florência também é minha prima, só que mais velha, e dava aulas para as crianças do primário. Coisas de cidade pequena.

Lembro até da sensação de ansiedade que tive. Eu estava indo para a escola! Caminhamos por um corredor, em uma ala onde só ficavam as turmas pré-primários. Finalmente chegamos em frente a porta da sala e lá no meio eu vi meu primo sentado no chão conversando com outros dois garotos, o Rodrigo e o Guilherme.

Fui correndo para lá, em dois minutos já éramos amigos. Naquele momento começou uma amizade que me acompanhou durante toda a escola e me acompanha até hoje. Acho que essa cena não se apagou da minha memória por causa disso — porque foi naquele dia que conheci bons amigos. Do Rodrigo, aliás, eu fui padrinho de casamento, lá em Salvador, para onde ele se mudou. E depois ele foi meu padrinho de casamento aqui em Barra Mansa.

Na Sabec eu passei todo o período da escola, uns 14 ou 15 anos no mínimo. Meus irmãos também estudaram lá. Ou seja, no recreio era como se eu estivesse em casa, até porque a orientadora educacional era a minha madrinha. Enfim, coisas de cidade pequena, mesmo.

Foi lá no colégio que fiz minhas primeiras incursões no jornalismo. Quando criança me chamaram para ser o repórter mirim da feira de ciências. Depois, na adolescência eu fiz um site na internet que reunía os amigos do colégio. No ensino médio eu criei um jornalzinho que contava o que acontecia lá dentro e dava notícias dos torneios de futebol da educação física.

Pois foi com profunda tristeza que descobri que demoliram o antigo prédio onde o colégio ficava. Como disse acima, passei 15 anos lá dentro, brincando naquele pátio, lanchando naquela cantina, estudando naquelas salas, lendo naquela biblioteca…

Só quem estudou lá e compartilha comigo as mesmas lembranças sabe a tristeza que é ver aquele prédio demolido. Disseram que vão construir um shopping ali. Outros afirmaram que será um estacionamento. Uma coisa, no entanto, aquele lugar nunca deixará de ser: um palco das melhores lembranças da minha vida.