essa Mulher

descreve-se nas auréolas de seus seios
por ser assim, tão íntima das palavras
as mantém implícitas em suas curvas
expressa-as com olhares,
e perfuma-se de sonetos
propõe-me seus anseios
enquanto abre seus lábios
ameaça dizer
e nada diz
provoca
coisas
inteiras
intensas
sentenças
sacanagens
(a)dentro a minha cabeça
e encontro seus sons
puros,
verdadeiros,
tímidos,
inevitavelment’expressivos
e provoco-os à tona, em seus tons
munido, lhe roubo, agressivamente
ouço-os, feito fossem presentes,
não roubados
e tal como os ouço, vivo-os
na atmosfera de assaltos
( . . . )
e no presente,
ecoando em memórias
tão ou mais sádicas que eu
pois aí ecoam-me dúvidas interpretativas
se a sacanagem é literal ou literária
se são palavras personificadas
ou mulher poetisada,
feita concreta poesia
e largo mão:
deixo só que ecoem
seus sons, minhas dúvidas
( . . . )
que mais posso fazer, afinal
se não lê-la:
a mais bela
das poesias