Geralmente paira um silêncio. As madrugadas variam pouco: quase sempre inóspitas, daquelas de que se pode ouvir uma folha de papel rasgar dois andares acima de você. E lá pelas quatro da manhã deve passar o primeiro carro rebaixado estuprando os ouvidos da vizinhança, ao passo em que o super som me alcança, ele destrói toda a esperança de ser, pelo menos desta vez, a turbina esquerda de um avião da Azul. Uma bola de fogo incandescente, aniquilando de vez a rotina.

Aqui na Dolário dos Santos não passam tantos aviões assim, passa mais uns carro rebaixado mesmo.