O que você quer e o que nós queremos.
Eu quero ser rico. Quero ser famoso. Quero ter uma mansão, com dezenas de empregados. Quero ter o carro esportivo mais caro. Quero ter a companhia de modelos e atrizes, no estilo Hugh Hefner. E daí?
Tudo isso pode parecer o paraíso para alguns, exagero e absurdo para outros, mas é o que todos nós, homens jovens fomos ensinados a desejar em nossa sociedade capitalista ocidental. Feliz de quem teve a sorte de ver além.
Certamente não foi com um treinamento de fim de semana, muito menos com um vídeo educativo que aprendemos a desejar esses ícones, mas sim da maneira mais perversa possível. Fizeram tudo às claras, nos doutrinando em doses homeopáticas, imperceptíveis a olhos ingênuos e destreinados.
Porém, essa mentira, de que isso é o normal e de que cada indivíduo tem seu sucesso medido nesses parâmetros, sendo o único responsável por construí-los, já não se sustenta mais.

Sob o risco de extinção de nossa espécie, assistimos a um novo renascimento da consciência humana. Ainda sonolenta, talvez sem café.
Infelizmente, nós, soldados da contracultura somos ameaçados diariamente pelas mais diversas instituições da atualidade. Seja por interesses econômicos, ou simplesmente por uma questão de poder, usam seus instrumentos para ridicularizar, desprezar, segregar e condenar à morte social.
Talvez isso não esteja claro para você, seja por estar no papel de agente opressor, por simples ignorância, ou por se achar esquisito por pensar diferente. Como saber se você está no caminho certo?
Seus amigos fazem piada por você mal ter dinheiro para pagar suas contas para poder terminar seus estudos ou trabalhar em algo que realmente faz bem para a sociedade e muito sentido para você?
E mais, sente-se mal quando é o único a se sensibilizar e fazer algo para ajudar moradores e animais de rua? Fica perplexo quando ouve besteiras sobre saúde, alimentação e convívio sustentável? Bem-vindo ao clube.
Devemos pensar. Como prover recursos infinitos em um planeta finito? Como conciliar estilos de vida sustentáveis com impulsos primitivos autodestrutivos? Existe uma saída onde todos saem ganhando?
Parece que sim. E ela já está acontecendo rápido. Um exemplo está aqui mesmo, a internet, um espaço aberto a todos desenvolverem suas individualidades com recursos infinitos.
Ganhar reputação, ser bonito, atraente e popular só depende de seus esforços para encontrar seu público. Precisa ter coragem para mostrar sua cara, independentemente de sua escolaridade, nível social ou canal de TV.
Porém, a maior ferramenta de revolução ainda está logo ali, depois da próxima esquina tecnológica: a realidade virtual. Apesar de ser um conceito antigo, apenas agora vemos o florescer de equipamentos realmente promissores para uma imersão quase total, como o Oculus Rift.
Finalmente poderemos permitir às pessoas vivenciarem experiências individuais, ou coletivas, em um ambiente totalmente virtual, ou seja, com recursos ilimitados. Isso já acontece até certo ponto nos jogos atuais.
O novo desafio é ser insustentável no mundo virtual, esse sim, sem limites de recursos ou dilemas morais verdadeiros. Você pode deixar seu id livre para ser quem você quiser sem ser julgado por isso.
Não é por acaso que o GTA é um dos maiores sucessos da indústria de jogos. O que mais fascina os usuários é sua liberdade de ação e possiblidade de explorar o mundo virtual. Dirigir carrões, testar sua pontaria, infringir a lei e outros comportamentos moralmente questionáveis, e potencialmente perigosos, na vida real passam a ser possíveis e acessíveis.
O oposto também vale. Alguém que não se acha bom em nada, pode encontrar reconhecimento através da participação ativa em fóruns e grupos de discussão, desempenho em jogos online, canal do YouTube e muito mais.
Isso é muito útil para gerarmos mudanças em curto prazo. No entanto, seu maior potencial ainda está na grande possibilidade ainda pouco explorada de usarmos para a educação da nova sociedade que queremos para nosso futuro.
O objetivo deste olhar é permitir que possamos sobreviver no mundo real sem cercear os impulsos humanos ou interesses institucionais para fazê-lo. Afinal, não sobreviveremos por muito tempo se continuarmos nutrindo a ideia de que um ser é melhor do que outro e que só o dinheiro pode trazer liberdade.
Estamos sentados, assistindo a uma bomba-relógio explodindo pouco a pouco, apenas com alguns extintores na mão. Foi dito a todos que todos poderiam tudo. Gostemos ou não, estamos em um mundo onde a loteria da vida decide o quanto você pode ser ou ter.
Talvez você pense que todo mundo já tem essa oportunidade, mas isso só mostra o quanto você já nasceu privilegiado. Não podemos fazer regra das exceções, temos que jogar com dados reais e não aceitar um sistema em que 1% são mais ricos que os demais 99%.

Todos podem ser e ter o que quiserem, desde que tenham condições justas de trilhar seus caminhos. Isso não é o que temos no mundo doente de hoje. Se qualquer um pode ser o cara pobre no jogo, porque não dar a chance para o cara pobre ser o normal na vida real?