Tristicidade: ou a tristeza que dá em sentir alívio por não morar no Brasil.

Sou novo nessa história de imigrante, em Junho completo 6 meses de Europa e ainda me pego acordando assustado com o teto do meu novo quarto.
Claro que, por motivos óbvios, ainda não me adaptei totalmente ao novo ambiente. Não é atoa que a expressão usada para esse momento é “choque cultural”.

Quando você imigra, começa a perceber novos costumes e formas de ver a vida e consequentemente novos sentimentos surgem; um deles é a tristeza de estar aliviado por não viver mais no Brasil.
Perceber como tudo pode ser simples e ao mesmo tempo funcionar é um choque muito grande para qualquer Brasileiro que chega no velho mundo (ou em qualquer país desenvolvido).
Como Brasileiros estamos acostumados com obras faraônicas que nunca ficam prontas e quando ficam prontas, beneficiam somente uma parcela da população. Gastos tremendos com equipamentos públicos que nunca serão utilizados por conta da violência urbana e do medo que a cada dia atinge níveis inimagináveis.

Você percebe como as crianças do Brasil não tem uma infância digna, depois de visitar um parque ou praça cheia de famílias tomando sol e ver como uma vida sem medo pode ser benéfica para a formação de um indivíduo.
O ponto é que a cada dia que passo aqui na Europa percebo o quanto fui prejudicado pelas condições sociais do meu país, seja em entretenimento ou educação, tranquilidade ou oportunidades.
Os Brasileiros perdem todos os dias. E ficar aliviado por não ter que passar mais por isso é triste.

É foda Perceber que as coisas aqui na Europa funcionam e que no Brasil também funcionariam, sem gastos exorbitantes e perfumaria; sem divisão de classes, onde todos se encontram mais no meio do que nos pontos opostos.
O Brasil se distancia cada vez mais de um país justo e a vontade de voltar é menor a cada dia. O alívio em perceber que tudo já passou é massacrado pela tristeza quando se lembra dos seus, que ainda estão por lá, travando uma batalha onde só se conquista o mínimo.
