O fantasma do sangue azul
Marcos Vinícius Almeida
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Análises sobre a desigualdade social e a disparidade de oportunidades costumam se atear aos critérios como “sexo, etnia e gênero”.

Homens brancos de classe média possuem mais privilégios do que mulheres negras e pobres.

Sexo, etnia e classe representam, assim, sistemas de privilégios.

Uma autêntica sociologia emancipadora teria a missão de rastrear as relações das pessoas portadoras de privilégios e, assim, compreender como o sexo, a etnia e a classe configuram tais relações.

Ou seja:

Mapear o círculo social das pessoas “privilegiadas” e as relações de contatos sociais formados apenas porque essas pessoas são homens, brancos e de classe média.

Grupos muito homogêneos, por sua própria homogeneidade, concentram privilégios.

Homens brancos, ricos e de classe média são poderosos porque andam com homens brancos, ricos e de classe média.

De posse desse mapeamento das constelações sociais, pode-se pensar em plataformas de interação social (exemplo: empresas com responsabilidade social) que aproximam pessoas diferentes e grupos homogêneos possuidores de privilégios.

Dessa interação, surge grupos maiores, heterogêneos, capazes de gerenciar as diferenças em prol da inovação social e novos modelos de negócios.

Um grupo de engenheiros brancos e de classe média, a partir da interação com pessoas marginalizadas, pode pensar, por exemplo, em novas tecnologias e infraestruturas para a moradia dessas últimas.

Essa interação entre grupos sociais pela inovação pode significar, mais do que avanços sociais, aquecimento nas economias locais e comunitárias.

Vejo na reportagem “No Brasil, 92% dos lares têm celular, mas apenas 66% têm esgoto tratado”, presente na revista “época negócios”, o desafio de disponibilizar ciência e inovação em prol de um modelo de mercado inclusivo.

Até creio que, dificilmente, essas famílias poderosas, descritas no texto, jamais irão querer participar desse programa de análise sociológico.

Mas, talvez, se houvesse a oportunidade do encontro entre pessoas humildes e uma parcela da classe média mais consciente, o Brasil conseguisse rearranjar as constelações sociais reprodutoras de privilégios para construir um mercado mais inclusivo.

E assim, derrubar essas elites e famílias poderosas, não pela violência, mas, pela força da inovação.
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